O que diz o delator sobre atuação dos bancos na fraude da Americanas

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O ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio Abrate, em colaboração premiada, expôs a participação crucial dos bancos na perpetuação da fraude financeira que resultou em um rombo de mais de R$ 20 bilhões na empresa. Segundo ele, os bancos desempenharam um papel decisivo ao omitirem informações relevantes e colaborarem para a manipulação dos dados contábeis da Americanas.

Abril detalhou como a operação de risco sacado, que originalmente era uma antecipação de fornecedores feita com recursos próprios da empresa, foi distorcida ao longo do tempo. Os bancos aproveitaram essa relação comercial para ampliar seu leque de produtos, oferecendo linhas de antecipação vendidas sob diferentes nomes, como risco sacado, confirme, ou fatura garantida, dependendo da instituição financeira.

Os bancos estimulavam tanto a Americanas quanto os fornecedores a aderirem a essas operações, flexibilizando prazos e distorcendo as transações originais. Essa prática culminou em uma operação comercial descaracterizada, com prazos aumentados gradativamente até atingirem 360 dias, esvaziando a relação comercial e comprometendo a saúde financeira da empresa.

A negociação intensa entre Abrate e os representantes dos bancos, principalmente Itaú e Santander, resultou na decisão crucial de não divulgar as operações de risco sacado como dívida financeira, preservando a aparência de solidez financeira da empresa perante o mercado. Essa omissão foi determinante para a continuidade e ocultação da fraude ao longo dos anos, mesmo diante da pressão das auditorias.

As defesas dos bancos Santander e Itaú negaram qualquer participação direta na fraude contábil da Americanas, alegando fornecer informações corretas e completas às auditorias. No entanto, a análise da colaboração de Abrate revela que a atuação dos bancos foi essencial para a manutenção da fraude, contribuindo para a perpetuação do esquema ilegal.

Essas revelações evidenciam como a relação entre empresas e instituições financeiras pode ser explorada de forma a distorcer informações contábeis e enganar o mercado financeiro, ressaltando a importância da transparência e integridade nas práticas comerciais e financeiras.

Diante disso, fica evidente a necessidade de uma supervisão mais rigorosa e transparente das operações financeiras, a fim de prevenir práticas fraudulentas e proteger investidores e acionistas.

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