Funcionária do “Careca do INSS” revela como funcionava SAC das fraudes

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São Paulo — Um esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias do INSS utilizava centrais de telemarketing para enganar aposentados, aplicando o golpe da mensalidade e gerenciando reclamações sobre cobranças não autorizadas nos benefícios.

Uma telefonista que atuou no atendimento aos aposentados, operando sob a orientação de seus superiores, compartilhou ao Metrópoles detalhes do funcionamento do que se pode chamar de SAC das fraudes. Ela pediu anonimato por medo de represálias.

A funcionária relatou que muitos idosos afirmavam ter descontos em suas aposentadorias sem nunca terem assinado um contrato. Muitas vezes, esses problemas eram identificados pelos filhos dos beneficiários.

“Tínhamos que explicar que a filiação era feita por links de WhatsApp ou por meio de ligações, mas os idosos estavam desinformados, assim como nós que trabalhávamos lá”, revelou.

Antes da Operação Sem Desconto, realizada pela PF em abril, a telefonista trabalhou nas empresas Callvox e Truetrust Call Center, que operavam juntas em Brasília e contratavam em massa. A série de reportagens do Metrópoles foi fundamental para expor o esquema, que pode ter causado desvios de até R$ 6,3 bilhões, resultando em demissões de figuras importantes como o presidente do INSS e o ministro da Previdência.


Call center do “Careca do INSS”

  • A Truetrust foi criada em junho de 2023, tendo como sócios o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Domingos Sávio de Castro.
  • Ambos são acusados de receber propinas de entidades envolvidas nas fraudes e de realizar pagamentos a dirigentes do INSS.
  • A dupla é investigada, particularmente por pagamentos a ex-dirigentes que permitiram os descontos.
  • A razão social da Truetrust, ACDS Call Center, provavelmente é uma referência às iniciais de seus donos.

SAC das fraudes

A funcionária mencionou que os atendentes eram dirigidos por Adelino Rodrigues Junior, responsável por pagamentos suspeitos relacionados a uma das entidades investigadas, a CBPA.

Os funcionários recebiam roteiros que instruíam como lidar com aposentados reclamando de cobranças não autorizadas. O mesmo procedimento era seguido para várias entidades do esquema.

Roteiro mostra o que os funcionários deviam falar aos aposentados
Roteiro mostra o que os funcionários deviam dizer aos aposentados que notaram o desconto.

A primeira orientação era prometer a devolução do dinheiro dentro de um prazo de 10 dias. No entanto, com o passar do tempo, esse prazo foi ampliado para 20 e depois 30 dias, levando os reembolsos a se tornarem muito raros.

Além dos roteiros, orientações adicionais sugeriam que os descontos poderiam ser autorizados por filhos ou aceitos ao clicar em links recebidos via WhatsApp.

Os atendentes eram agrupados em equipes e atendiam diversas associações investigadas, como a CBPA, Abrasprev, e Abapen. A CBPA, que não havia realizado descontos até 2022, viu sua arrecadação disparar, alcançando R$ 57,8 milhões no ano seguinte.

A PF excluiu Abrasprev e Abapen de uma ação da AGU, que pede o bloqueio de R$ 2,56 bilhões de 12 entidades envolvidas em esquemas de propina. A CBPA é uma das alvos da ação.

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