Repórter espancado: cidade tem histórico de mortes contra jornalistas

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Um vídeo chocante mostra um jornalista espancado em frente à Câmara Municipal de Santo Antônio do Descoberto. Este ato de violência é apenas mais um episódio em um histórico de agressões e assassinatos de profissionais da imprensa na região. Nos últimos dez anos, dois jornalistas foram mortos por suas reportagens na cidade goiana, refletindo um clima de impunidade em casos de ataque à liberdade de expressão.

A cidade, situada a 63 quilômetros da capital do Brasil, tornou-se um ambiente hostil onde até deputados ameaçam jornalistas. A situação é alarmante, com casos documentados de agressões e até apoio a agressores dentro da administração municipal.

Morte encomendada

Em 24 de julho de 2016, o jornalista João Miranda do Carmo foi alvo de uma emboscada e assassinado com 13 tiros. Os criminosos se apresentaram na sua casa pedindo água antes de atacá-lo na garagem. A investigação do Ministério Público de Goiás revelou que o crime foi motivado pelas reportagens dele e, embora a Justiça tenha aceitado a denúncia, os mandantes nunca foram identificados.

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João Miranda caiu em emboscada e foi assassinado

A falta de progresso nas investigações gerou um sentimento de desamparo entre os jornalistas da cidade, que já convivem com a impunidade em casos de crimes contra a profissão.

Rixa pessoal

Em um trágico desdobramento, em outubro de 2017, o blogueiro Luiz Cláudio Cezário, conhecido como Neguinho Roriz, foi assassinado em uma distribuidora de bebidas. O crime aconteceu, segundo a polícia, por uma rixa pessoal, resultado de publicações que o blogueiro fez, que desagradaram seu agressor, Jovanildo Silva dos Santos, condenado a 27 anos de prisão pelo homicídio.

Arquivo Pessoal
Neguinho Roriz foi morto a tiros em bar

O crime chocou a comunidade, pois Neguinho Roriz era uma figura conhecida e atuou como ouvidor-geral da prefeitura. A impunidade persistiu, aumentando a sensação de insegurança entre os jornalistas locais.

Jornalista espancado

Recentemente, o jornalista Ronaldo Chaves, do portal 14 de Maio, foi agredido por José Sobreiro Filho, servidor da Prefeitura, logo após uma reportagem que criticava gastos públicos com artistas para a festa da cidade. O ataque ocorreu em pleno expediente, revelando um ambiente de represália a quem se atreve a expor a verdade.


Entenda a agressão contra o jornalista

  • Ronaldo foi atacado enquanto tentava abordar o agressor, que lhe desferiu um tapa.
  • Ele tentou se afastar, mas acabou sendo golpeado a ponto de cair no chão.
  • O agressor alegou que a briga foi devido a rixas antigas.

A prefeita local criticou o ataque, mas a defesa do agressor por Renato de Souza Gomes, diretor de serviços na prefeitura, levanta questões sobre a cultura de violência contra a imprensa na cidade. A mensagem pública em apoio a José Sobreiro retrata um problema maior de apoio institucional à agressão.

Ameaças de deputado casado com a prefeita

As tensões aumentaram quando o deputado André do Premium ameaçou Ronaldo por reportagens negativas. Sua esposa, a prefeita, levou a situação a um outro nível de hostilidade, evidenciando como a política se mistura com ataques à liberdade de imprensa na cidade.

No contexto de um ambiente jornalístico tenso, Ronaldo expressou seu descontentamento após a agressão, chamando a atenção para a necessidade de um debate aberto sobre a violência contra jornalistas. O que está em jogo é a própria liberdade de expressão e a segurança dos profissionais que fazem esse trabalho.

Como cidadãos e defensores da liberdade, é importante que todos nós estejamos atentos e ativos na proteção dos jornalistas e na luta contra a violência. Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a aumentar a conscientização sobre essa questão crítica.

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