Ex-ministro de Bolsonaro cobra Defesa por venda de urânio à China

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O ex-ministro do governo Bolsonaro, deputado federal Mário Frias (PL-SP), está em busca de esclarecimentos junto ao Ministério da Defesa sobre uma transação que chama a atenção: a aquisição, por duas companhias estatais da China, da suposta maior reserva de urânio do Brasil localizada no Estado do Amazonas. Em seu requerimento, Frias questiona se a Defesa foi consultada ou teve qualquer papel no processo de aprovação dessa transação.

Neste contexto, ele solicita informações sobre possíveis análises de risco e medidas de monitoramento que tenham sido implementadas. O parlamentar expressa a preocupação de que a presença de interesses estrangeiros em áreas estratégicas do Brasil possa colocar em risco não apenas a segurança nacional, mas também as dinâmicas geopolíticas do país.

Frias menciona especificamente a China Nonferrous Trade (CNT), a qual, segundo ele, tem um histórico de negócios com o Irã, um país classificado pelos Estados Unidos como “patrocinador estatal de terrorismo”. Essa ligação levanta preocupações sobre as consequências potenciais dessa transação nas relações do Brasil com nações aliadas, como os próprios Estados Unidos.

O deputado destaca que essa transação compromete a soberania nacional, violando princípios fundamentais estabelecidos pela Constituição Federal. Ele enfatiza a necessidade de que o governo tome providências rigorosas para garantir a proteção dos recursos estratégicos e do meio ambiente no Brasil.

Monopólio da União

Vale lembrar que a exploração de urânio é um monopólio da União, regulamentada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A mina de Pitinga, mencionada no requerimento, é famosa pela extração de estanho, nióbio, zircônio e tântalo; no entanto, não existem registros públicos que comprovem a concessão para a extração de urânio nesse local, muito menos que se trate da maior reserva do país.

Recentemente, circularam boatos nas redes sociais sobre um suposto fornecimento de urânio brasileiro ao Irã. A INB, em nota, desmentiu essa informação, classificando-a como “fake news”. A estatal reafirmou que não possui qualquer relação comercial com o Irã e que sua produção de urânio é estritamente voltada para fins pacíficos — como a geração de energia elétrica, a medicina e a preservação de obras de arte — sempre sob a vigilância rigorosa de órgãos responsáveis, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o Ibama.

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