Coisas que salvam: um livro barato, uma velha casa, uma lembrança

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Na memória da casa dos avós, o eco do silêncio ressoa. Dora, minha amiga, sempre encontrou espaço para implicar com a aparência das jovens de hoje, acusando-as de serem “todas iguais”. Para ela, cada geração possui sua própria identidade, e não é difícil imaginar que há 25 anos, estaríamos desfilando por aí com cabelos longos, lábios volumosos e silhuetas esculpidas. A moda, assim como as lembranças, está em constante mutação.

A beleza de minha amiga, gerada a partir de um romance que transpassa épocas, se destaca até nas fotografias inspiradas nos anos 80. Mesmo sem saber, Dora carrega em seu ser uma chama que vincula vivências, como a de Clarice Lispector, que com suas palavras ajudou a moldar o jeito como ela vê o mundo. A conexão com a escritora é uma espécie de refúgio, uma conversa íntima que transcende o espaço e o tempo.

Artistas são verdadeiros salvadores de almas. Clarice, com seu olhar profundo e sensível, deve ter se sentido contente ao saber que Dora, mesmo distante, continua se inspirando nela. Geograficamente, a Oceânia pode parecer um abismo, mas a conexão permanece forte.

Em Jaguarquara, a ausência da imigração italiana é notável, exceto no sabor do Ristorante Biancamano, um legado que ainda ressoa na memória. Recentemente, ao visitar a cidade, a melancolia tomou conta ao ver a casa onde minha mãe cresceu ser demolida, vítima do “progresso”. Essa perda evocou a nostalgia de Fernando Pessoa, recordando tempos em que “todas as pessoas estavam vivas”.

A visita a D. Pequena, com seus 90 anos, trouxe um frescor ao passado: as lembranças do mendigo 7 Trouxa, que encantava os jovens ávidos por histórias. Desde então, a cidade ganhou cara nova, até mesmo na presença de luxuosos Hiluxes, uma anedota à parte feita por meu pai.

Despir-se do passado é complicado, e entre tantas obras literárias, as que simplesmente aguardam por atenção são inumeráveis. A jornada literária não se esgota numa única vida; é uma busca que se estende, trazendo aprendizados e memórias. Agradeço à escrita por permitir compartilhar meus desassossegos e a saudade de 7 Trouxa, a quem dedico este texto repleto de amor.

Quais memórias e histórias você gostaria de compartilhar? Deixe suas impressões nos comentários e vamos juntos explorar esse universo de emoções e lembranças!

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