Jovens e negras: Anuário da Segurança Pública releva perfil das vítimas de feminicídio e mortes violentas

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O Brasil enfrenta um alarmante índice de feminicídios, com uma mulher assassinada a cada 6 horas em 2024. O recente Anuário da Segurança Pública revela dados contundentes sobre o perfil das vítimas desse tipo de violência, colocando em destaque questões raciais, sociais e etárias que permeiam essa tragédia nacional.

Ao todo, 1.492 mulheres perderam a vida em feminicídios, enquanto 3.700 foram vítimas de mortes violentas. O feminicídio, definido como um homicídio motivado por questões de gênero, está frequentemente ligado a contextos de violência doméstica e discriminação. Já as mortes violentas intencionais englobam uma gama ampla de crimes, incluindo latrocínio e violência policial.

Analisando os dados, a Bahia destaca-se com o terceiro maior número de casos, contabilizando 111 feminicídios. Embora o índice tenha apresentado uma leve diminuição em relação a 2023, a redução foi mínima, de apenas 3,7%. Em uma análise mais detalhada, 63,6% das vítimas eram negras ou pardas, enquanto 35,7% eram brancas. As mulheres indígenas e amarelas representaram 0,6% e 0,2%, respectivamente.

Em termos de faixa etária, as jovens entre 18 e 24 anos são as mais vulneráveis, representando 17,2% dos casos de mortes violentas, enquanto as mulheres entre 35 e 39 anos são as principais vítimas de feminicídio, com 15,6%. As faixas etárias de 25 a 29 anos também são marcantes, refletindo 13,9% dos feminicídios e 13,8% das mortes violentas.

O estudo do Fórum Brasileiro da Segurança Pública também aponta os locais da violência e as relações entre vítimas e suspeitos. As casas das vítimas são o cenário de 64,3% dos feminicídios e 46,5% das mortes violentas. Em relação aos suspeitos, 60% dos feminicídios ocorreram por parte de companheiros atuais e 19,1% por ex-companheiros, explicando a alta taxa de violência no ambiente doméstico. No caso das mortes violentas intencionais, o índice de atuais companheiros permanece alto, representando 38,4%, enquanto 28,5% dos suspeitos são desconhecidos.

Outro aspecto crucial do levantamento é o tipo de arma utilizada. Nos feminicídios, predominam armas brancas, como facas e punhais (48,4%), seguidas por armas de fogo (23,6%). Já nas mortes violentas, as armas de fogo são as mais comuns, atingindo 48,3%, enquanto as armas brancas estão em 28,9%. O espancamento também emerge como um método frequente, especialmente em feminicídios, representando 12,6% dos casos.

Esses dados alarmantes exigem reflexão e ação de nossa sociedade. Que medidas podem ser tomadas para mudar essa triste realidade? Compartilhe suas ideias e opiniões nos comentários.

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