Luta contra tarifaço de Trump aprofunda ligação entre Alckmin e Lula

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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo, está na linha de frente contra as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes um coadjuvante na administração, Alckmin agora coordena as negociações com o governo americano, ganhando protagonismo na gestão petista.


Alckmin lidera resposta do Brasil a Donald Trump

  • Em abril, Trump anunciou uma tarifa inicial de 10% sobre produtos brasileiros, que subiu para 50% em agosto, acirrando a crise comercial.
  • Alckmin considera a tarifa um “perde-perde”, pois encarece produtos e prejudica cadeias produtivas. Logo após a nova tarifa, ele se reuniu com o encarregado de Negócios dos EUA em Brasília, Gabriel Escobar, e avaliou o encontro positivamente.
  • O vice-presidente enfatiza a importância de “acalmar os ânimos” e buscar negociações diplomáticas, apontando que não há justificativas econômicas para a tarifa de 50%.
  • Um dos principais objetivos das negociações é reduzir a alíquota, excluir mais produtos da taxação e ajudar setores mais afetados, além de diversificar os mercados.

Alckmin é um dos fundadores do PSDB e possui uma longa trajetória política, tendo sido vereador, deputado federal e governador. Em 2006, desafiou Lula na corrida presidencial, ressaltando críticas ao petista, que, segundo ele, tentava dividir o Brasil entre ricos e pobres.

“Essa divisão do Brasil está errada. O governo não pode estimular isso. O presidente Lula foi injusto ao criticar São Paulo, que o acolheu. Precisamos pensar no Brasil como um todo”, argumentou Alckmin em uma palestra.

O professor Marco Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observa que a aliança entre Lula e Alckmin surge em um momento de declínio do PSDB e desafios políticos da oposição. “O contexto político atual, com um PSDB desidratado e Alckmin traído por aliados, facilitou essa virada”, destaca Teixeira.

José Aníbal, ex-senador do PSDB e aliado de Alckmin, aponta que seu ex-querido político mudou para o PSB em busca de novos caminhos, e agora, com as tarifas de Trump, ele ganhou mais espaço na gestão petista. “Alckmin agora exerce um protagonismo efetivo, buscando novos mercados e fazendo negociações sem viés ideológico”, complementa.

Antes da escalada das tarifas, petistas discutiam a possibilidade de substituir Alckmin na chapa de Lula. Contudo, com seu trabalho recente, muitos ressaltam que ele tem “ganhado pontos” para continuar na gestão. Segundo Teixeira, Alckmin foi um “aliado estratégico” em 2022, mas agora é visto como um aliado leal.

Lula, demonstrando interesse em se reeleger em 2026, busca aliados mais centristas e ainda não definiu seu vice. No PSB, a pressão para manter Alckmin na chapa persiste, embora ele tenha sido sondado para concorrer ao Senado, o que esfriou após as tarifas de Trump.

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