O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decretou, neste domingo, a prisão temporária do policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini. Ele é acusado de atirar contra o entregador do iFood, Valério Júnior, na noite de sexta-feira, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
A confusão se deu na Rua Carlos Palut, em um conjunto de prédios conhecido como Merck.
Veja o momento em que o motoboy é atingido:
Entenda o caso
- Valério chegou ao local e pediu que Ferrarini buscasse o pedido no portão do condomínio. O policial exigiu que o entregador subisse até o apartamento.
- Ferrarini desceu até o portão e, durante a discussão, Valério estava gravando a conversa. O policial afirmou: “Você não subir é uma parada!”
- Quando Valério tentava explicar que estava na Merck, levou um tiro no pé direito. “Então valeu”, respondeu o policial, enquanto Valério se contorcia de dor.
- “Que isso, cara?”, questionou Valério, e Ferrarini rebateu: “Que isso é o c*ralho. Bora, me dá minha parada.”
- Valério, ferido, chamou por ajuda de um vizinho, gritando: “Ô, Tião! Me ajuda aqui, Tião! Ele me deu um tiro!”
- Após o disparo, o policial simplesmente retornou para casa. No sábado, ele prestou depoimento na 32ª DP (Taquara) e foi liberado.
- O motoboy foi atendido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro (CBMRJ).
O que dizem as autoridades
No mesmo dia, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) anunciou o afastamento de Ferrarini por 90 dias e a abertura de um processo administrativo disciplinar. A secretária Maria Rosa Nebel classificou a conduta do policial como “repugnante”, afirmando que a Polícia Penal não compactua com tal atitude.
“A corregedoria da Seap está acompanhando o caso e nos solidarizamos com o entregador Valério Júnior,” completou a instituição.
Ferrarini foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e a polícia ainda não confirmou sua localização ou prisão. O caso está sob investigação da 32ª DP (Taquara), com o motoboy submetido a exame de corpo de delito e testemunhas sendo ouvidas. A arma do policial foi apreendida para perícia.
O que diz o iFood
Em nota, o iFood reafirmou que os entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos e repudiou qualquer forma de violência. A empresa destacou sua posição contra a discriminação e a violência, oferecendo apoio ao entregador Valério.
“O iFood lamenta muito o que aconteceu e reitera que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, como o portão ou a portaria do prédio. Em 2024, a empresa lançou no Rio de Janeiro a campanha Bora Descer, incentivando os clientes a receberem os pedidos na portaria, em respeito aos entregadores,” diz a nota.
A empresa também disponibilizará assistência jurídica e psicológica para Valério, através de uma parceria com a organização Black Sisters in Law. O iFood se coloca à disposição para colaborar com as autoridades no que for necessário.
“Esperamos que o caso não fique impune e que Valério Júnior se recupere rapidamente.”
O que você pensa sobre esse incidente? Deixe sua opinião nos comentários e ajude a discutir a situação dos entregadores!
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