Trump quer restringir vistos de estudantes e jornalistas

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O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira uma proposta para impor limites mais rígidos à permanência de estudantes e jornalistas estrangeiros em território americano. Essa medida é parte dos esforços para controlar a imigração irregular no país.

A nova política propõe um período fixo para os vistos F, destinados a estudantes internacionais, assim como os vistos J, que permitem que visitantes de programas de intercâmbio cultural trabalhem nos EUA, e os vistos I para profissionais da imprensa.

Os estudantes estrangeiros teriam sua permanência limitada a quatro anos, enquanto os jornalistas enfrentariam um período máximo de estadia de 240 dias, podendo solicitar uma extensão de mais 240 dias. Contudo, jornalistas chineses teriam um limite ainda menor, de 90 dias.

Normalmente, os Estados Unidos emitem vistos que cobrem a duração das atividades educacionais ou jornalísticas, mas nenhum visto para não-imigrantes é válido por mais de 10 anos. No último ano, aproximadamente 1,6 milhão de estudantes internacionais possuíam vistos F em solo americano. Para o ano fiscal de 2024, que começou em outubro, cerca de 355.000 vistos foram concedidos a intercambistas e 13.000 a jornalistas.

Restrições e responsabilidades

As propostas foram publicadas no Federal Register, iniciando um período curto para comentários públicos antes da implementação. O Departamento de Segurança Interna argumenta que muitos estrangeiros têm prolongado indevidamente seus estudos para permanecer no país como estudantes “eternos”.

“Por muito tempo, governos anteriores permitiram que estudantes estrangeiros permanecessem nos EUA praticamente por tempo indeterminado, causando riscos à segurança e gerando custos elevados aos contribuintes”, destacou uma nota do departamento. Porém, não foram citados exemplos concretos de como isso prejudicou os cidadãos americanos, principalmente considerando que estudantes internacionais contribuíram com mais de 50 bilhões de dólares à economia dos EUA em 2023.

Impacto na academia

Os EUA são o destino de mais de 1,1 milhão de estudantes internacionais por ano, o que gera uma fonte importante de receita, pois muitos deles pagam mensalidades integrais. Um grupo que representa instituições de ensino superior criticou a nova proposta, afirmando que ela representa um obstáculo desnecessário e pode desestimular futuros alunos que contribuiriam significativamente para a pesquisa e a criação de empregos.

“Essa proposta envia uma mensagem errada a talentos globais, fazendo-os sentir que suas contribuições não são valorizadas nos Estados Unidos”, declarou Miriam Feldblum, presidente da Aliança de Presidentes para o Ensino Superior e Imigração, que defende a imigração e o apoio a refugiados. Ela frisou que as novas regras podem enfraquecer a capacidade das instituições americanas de atrair os melhores talentos, reduzindo a competitividade global dos EUA.

Contradições no governo

Esse anúncio ocorre em um contexto em que universidades estão iniciando seus semestres, com relatos de diminuição nas matrículas de estudantes estrangeiros, resultado das políticas anteriores do governo de Trump. Curiosamente, o presidente manifestou interesse em dobrar o número de estudantes chineses nos EUA para 600.000, contradizendo a postura mais rígida de sua administração.

Desde o início do segundo mandato de Trump, cerca de 6.000 vistos de estudantes foram revogados, em parte devido a ações contra ativistas universitários. Além disso, seu governo cortou bilhões de dólares em verbas federais para pesquisa nas universidades, argumentando que as instituições não estavam combatendo o antissemitismo adequadamente.

Essas medidas refletem uma postura agressiva em relação às instituições de ensino, que, em algumas falas, foram descritas como “inimigas” dos conservadores, segundo o vice-presidente JD Vance.

O que você pensa sobre essas novas propostas do governo? Acredita que elas podem impactar a educação e o intercâmbio cultural nos EUA? Deixe sua opinião nos comentários!

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