Greve paralisa a Grécia contra projeto que amplia jornada de trabalho

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Os principais sindicatos da Grécia realizaram uma greve geral na quarta-feira, 1º de outubro, em protesto à proposta do governo que pretende aumentar a jornada de trabalho. Na capital, Atenas, e em Tessalônica, cerca de 8.500 pessoas participaram das manifestações, conforme informações da polícia. O projeto é apontado como uma medida “digna da Idade Média” por sindicalistas e afetou todo o país com uma greve de 24 horas.

Durante a greve, os transportes foram severamente impactados, com paralisia de táxis, trens, balsas, metrôs e ônibus em horários determinados. Professores, profissionais da saúde e funcionários públicos também aderiram à greve. Um dos slogans mais repetidos pelos manifestantes foi “Não somos máquinas”.

O governo conservador propôs uma reforma que permitiria jornadas de até 13 horas diárias. Embora a medida seja apresentada como opcional e com pagamento adicional após as oito horas regulares, há preocupações de que os trabalhadores sejam forçados a aceitar essas condições, especialmente em um país que está lutando contra os efeitos de uma crise econômica prolongada.

Para o governo, a ideia é dar aos trabalhadores a opção de ganhar mais, mas os manifestantes veem essa proposta como uma maneira de explorar ainda mais as pessoas. Atualmente, a jornada de trabalho legal na Grécia é de oito horas, com possibilidade de até três horas extras. O Parlamento ainda não definiu uma data para discutir o projeto de lei. Segundo a Eurostat, a carga semanal de trabalho na Grécia é de 39,8 horas, acima da média de 35,8 horas dos 27 países da União Europeia.

“Não somos robôs”

Manos Milonas, trabalhador do aeroporto de Atenas, expressou suas preocupações sobre o aumento da carga horária. “Trabalhamos no aeroporto, que é distante de Atenas. O tempo médio que um funcionário leva até lá é de 1h30 de ida e 1h30 de volta, totalizando três horas. Se adicionarmos 13 horas de trabalho, serão 16 horas diárias. Não somos robôs. Como querem que vivamos nessas condições?”, questionou.

Electra, funcionária de um hotel de luxo, também participou das manifestações e criticou a proposta do governo. “Dizem que as 13 horas são baseadas em acordo entre empregado e empregador, mas, na prática, para trabalhadores sazonais ou com contratos temporários, como o meu, se eu recusar mais de uma vez, não sou recontratada. Meu contrato termina no fim de outubro. Você acha que vão me chamar de volta se eu disser não às 13 horas? Isso é chantagem”, afirmou.

O que você acha dessa proposta do governo? A ampliação da jornada de trabalho é justificável ou não? Deixe sua opinião nos comentários!

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