Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP

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Uma nova investigação da Polícia Civil revelou que duas mortes em São Paulo, causadas por intoxicação por metanol, estão relacionadas ao uso de etanol contaminado no processo de falsificação de bebidas alcoólicas. Falsificadores compram álcool já adulterado em postos de gasolina e o utilizam na produção de bebidas, que acabam sendo vendidas ao consumidor final.

A investigação começou com uma pista que levou a postos de gasolina suspeitos de vender etanol adulterado com metanol. Na sexta-feira, 17 de outubro, a polícia identificou dois estabelecimentos no ABC paulista que estavam envolvidos nessa prática.

Segundo a polícia, o esquema funciona assim: um grupo compra etanol contaminado desses postos, fabrica e envasam bebidas falsas em fábricas clandestinas, vendendo-as como produtos legítimos.

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Polícia de SP desvendou caminho do metanol dos postos de combustíveis até o consumidor de bebidas alcoólicas

Os consumidores, sem saber, ingrem bebidas contaminadas com essa substância tóxica, colocando suas vidas em risco.


Metanol: o caminho da intoxicação

  • Postos de gasolina: criminosos compram etanol adulterado com metanol para falsificar bebidas alcoólicas.
  • Fábrica clandestina: o etanol é utilizado para produzir bebidas falsificadas e envasá-las.
  • Estabelecimentos comerciais: compram e revendem bebidas alcoólicas adulteradas.
  • Consumidor: ingere bebida contaminada, sem conhecimento da sua origem.

Esquema matou a primeira vítima em SP

Ricardo Lopes Mira, um empresário que acabou sendo a primeira vítima confirmada de intoxicação por metanol em São Paulo, morreu no dia 16 de setembro após ingerir uma bebida adulterada no Torres Bar, na zona leste da cidade.

Referente ao caso, a polícia já havia identificado o distribuidor das bebidas servidas no bar, que confirmou que os produtos eram clandestinos.

A investigação levou à descoberta de uma fábrica em São Bernardo do Campo, onde foram encontrados etanol e bebidas adulteradas. Vanessa Maria da Silva foi presa sob suspeita de //falsificação.

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A fábrica usava etanol contaminado e vendia as garrafas para distribuidores, que chegavam até os comerciantes e, consequentemente, aos consumidores.

A “família do metanol”

Vanessa e sua família, incluindo seu marido e pai, são acusados de comprar o etanol para falsificar bebidas. Autoridades afirmaram que o grupo é responsável pela contaminação de pelo menos três pessoas, sendo duas delas os já mencionados Ricardo Mira e Marcos Antônio Jorge Junior.

O terceiro caso envolve um jovem que está cego e continua internado na UTI após consumir uma bebida adulterada.

Com a identificação dos postos e da família criminosa, a Polícia Civil concluiu a segunda fase da operação que investiga contaminações por metanol em São Paulo. A próxima etapa será investigar se o grupo tinha conhecimento da adulteração.


Número de intoxicações por metanol

  • 90 casos de intoxicação foram registrados, sendo 33 confirmados e 57 sob investigação.
  • Oito mortes confirmadas ocorreram entre os afetados.
  • Dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde no dia 15 de outubro.
  • Segundo o Ministério da Saúde, há 148 notificações em todo o país.
  • Sendo 41 casos confirmados e outras 107 em apuração.

Esse cenário alarmante levanta questões sobre a segurança das bebidas consumidas e a responsabilidade dos comerciantes. Você já se sentiu inseguro quanto à procedência do que ingere? Deixe sua opinião nos comentários.

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