Pelúcias do PCC: entenda papel de irmãs em esquema alvo de operação

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As autoridades de São Paulo desencadearam, nesta quarta-feira, uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os alvos principais foram duas mulheres ligadas a Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como “Django”, que teve um papel fundamental no tráfico de drogas até sua morte em 2022.

Durante a Operação Plush, o Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em parceria com a Polícia Civil e a Secretaria de Fazenda, cumpriu mandados de busca e apreensão contra Natalia Stefani Vitoria e sua ex-cunhada, Priscila Carolina Vitoria Rodriguez Acuna.

A investigação começou após a Operação Fim da Linha, que abordou a infiltração do PCC no sistema de transporte público. Django foi identificado como um dos principais sócios da UpBus, uma empresa de ônibus vinculada à facção. De acordo com o Ministério Público, Priscila foi usada por ele para adquirir cotas da UpBus, estimadas em R$ 494 mil, mesmo sem ter condições financeiras para isso.

Lojas de Brinquedos

As investigações financeiras levaram à descoberta de que as irmãs utilizavam empresas de brinquedos infantis para lavar dinheiro. Apesar de suas lojas estarem endividadas, as irmãs receberam dividendos, o que levantou suspeitas sobre a real origem dos lucros. O relatório destacou que ambas não tinham empregos registrados e suas atividades eram incoerentes com seus ganhos, pois Natalia nunca trabalhou formalmente e o único registro de emprego de Priscila era de 2005.

As irmãs operavam com quatro franquias da loja de pelúcias Criamigos Oficinas de Ursos em shoppings de São Paulo e região. Durante a operação, os endereços dessas lojas foram alvo de mandados de busca e apreensão.


Alvos da Operação Plush

Pessoas Físicas:

  • Natalia Stefani Vitoria, ex-companheira de Django.
  • Priscila Carolina Vitoria Rodriguez Acuna, ex-cunhada de Django e irmã de Natalia.

Pessoas Jurídicas:

  • VITORIA S COMERCIO DE BRINQUEDOS E ACESSÓRIOS LTDA, no Shopping Center Norte.
  • JD COMERCIO DE BRINQUEDOS E ACESSÓRIOS, no Shopping ABC.
  • PV COMERCIO DE BRINQUEDOS E ACESSÓRIOS LTDA, no Mooca Plaza Shopping.
  • NV COMERCIO DE BRINQUEDOS E ACESSÓRIOS LTDA, no Internacional Shopping Guarulhos.

Cada franquia foi aberta com R$ 50 mil em dinheiro vivo, além de pelo menos R$ 300 mil em taxas. A movimentação financeira das irmãs parecia incompatível com seus rendimentos, alimentando suspeitas de atividades informais e a realização de depósitos em espécie, evitando a rastreabilidade dos recursos.

Entre julho de 2017 e março de 2024, Priscila recebeu mais de R$ 9 milhões em créditos, com R$ 400 mil provenientes de depósitos não identificáveis. Natalia, por sua vez, contabilizou 156 depósitos com características fraudulentas, somando cerca de R$ 230 mil. A situação gerou desconfiança, uma vez que ambos residem em imóveis que não estão em seus nomes e realizam pagamentos em nome de terceiros.

“Os indícios da prática de lavagem de dinheiro pelas investigadas são consistentes, com a presença de múltiplas tipologias de crimes”, concluiu o Ministério Público.


Quem era Django

  • Cláudio Marcos de Almeida foi assassinado em 2022.
  • Acredita-se que sua morte tenha ocorrido devido a disputas internas no PCC.
  • Ele foi encontrado morto, enforcado, sob o viaduto Vila Matilde, em 23 de janeiro de 2022.
  • Django e outro integrante foram condenados em um “tribunal do crime” por absolver um colega que foi assassinado.
  • Seu nome voltou a aparecer em 2024, na Operação Fim da Linha.
  • Apontado como sócio da UpBus, a empresa era utilizada pelo PCC para lavar dinheiro.

Além dos mandados de busca, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores que totalizam R$ 4,5 milhões, visando reparação de danos e pagamento de custas processuais.

Procurada, a rede Criamigos afirmou que não tem envolvimento com a Operação Plush, ressaltando que as investigações se limitam às unidades franqueadas mencionadas. A marca reafirmou seu compromisso com a transparência.

A reportagem não conseguiu localizar as defesas de Natalia Stefani Vitoria e Priscila Carolina Vitoria Rodriguez Acuna, e o espaço permanece aberto para manifestações.

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