Pesquisadores da Universidade de Nanyang, em Singapura, identificaram um sinal precoce associado à doença de Alzheimer, observável em exames comuns de ressonância magnética. O estudo avaliou 957 pessoas de diferentes origens étnicas no país, com idade média de 58 anos.
A descoberta envolve dilatações em canais responsáveis pela drenagem de resíduos cerebrais, conhecidos como espaços perivasculares dilatados (EPVS). Essa alteração surge antes de sintomas clássicos, como falhas de memória, e ocorre antes do acúmulo de proteínas tóxicas associadas ao declínio cognitivo, o que normalmente serve como marcador diagnóstico.
Como as alterações favorecem o Alzheimer? Em parte dos casos analisados, publicada na revista Neurology em setembro, a dilatação dos EPVS antecede marcadores cerebrais amplamente usados no diagnóstico. A equipe aponta que a obstrução da drenagem pode favorecer o acúmulo de proteínas nocivas e prejudicar a limpeza do cérebro, contribuindo para quadros de demência.
“Como essas anomalias cerebrais podem ser identificadas visualmente em exames de ressonância, identificá-las poderia complementar os métodos existentes para detectar o Alzheimer precocemente, sem a necessidade de exames adicionais invasivos”, disse o médico Nagaendran Kandiah, líder do estudo.
Identificar tais alterações também pode esclarecer por que algumas populações sofrem maior risco de Alzheimer, conforme destaca a pesquisa sobre etnias asiáticas, reforçando a necessidade de ampliar a representatividade em estudos. O estudo ressalta ainda a diferença de prevalência de fatores de risco entre grupos: por exemplo, a frequência do gene de risco APOE varia entre caucasianos com demência (50–60%) e pacientes com demência em Singapura (< 20%).
A equipe analisou, ainda, imagens de 957 moradores de Singapura, com diversidade étnica que reflete a composição do país. A idade média dos voluntários era de 58 anos, e o estudo acompanhou indivíduos com função cognitiva preservada e outros com leves dificuldades de raciocínio. Os resultados indicam que a dilatação EPVS está associada a maior incidência de acúmulo de proteínas perigosas ligadas à demência.
Entre os marcadores observados, o grupo com problemas vasculares mostrou, em média, 16% mais frequência de GFAP (proteína fibrilar glial) acima do nível normal, 16% mais incidência de neurofilamento leve (NfL) e 8% de p-tau181, sugerindo que a inflamação cerebral pode ser maior entre quem apresenta EPVS dilatados.
Os autores concluem que o aumento dos espaços perivasculares aparece com maior frequência em indivíduos com comprometimento cognitivo leve, reforçando a ideia de que a obstrução da drenagem cerebral pode surgir antes de outros sinais usados hoje no diagnóstico. A pesquisa sublinha a necessidade de ampliar a representatividade ética e racial em estudos sobre Alzheimer.
Em resumo, o achado sugere uma rota complementar para a detecção precoce do Alzheimer, abrindo espaço para intervenções mais rápidas e, possivelmente, menos invasivas. O estudo, publicado na Neurology, reforça a importância de entender as vias de drenagem do cérebro e como elas podem sinalizar mudanças preventivas antes de danos irreversíveis.
E você, o que acha sobre o potencial de esses sinais visíveis em RM para antecipar o Alzheimer? Deixe seu comentário com a sua opinião ou experiência.









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