Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP

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São Paulo transforma podas e quedas de árvores em mobiliário urbano e adubo

A cidade de São Paulo tem um programa que reaproveita madeira de podas e quedas de árvores em parques públicos para fabricar mobiliário urbano e fornecer composto gratuitamente à população. A iniciativa, integrada pela prefeitura, promove economia circular, gera empregos e torna os parques mais funcionais e naturais.

O processo começa no pátio da Vila Leopoldina, onde as toras são separadas por medidas adequadas para a fabricação de móveis. Os troncos não aproveitáveis são triturados e transformados em cavaco, o resíduo vegetal que serve de base para outras etapas.

O cavaco pode ser utilizado como substituto de brita em canteiros e trilhas, ou seguir para a compostagem. O cavaco “contaminado” é distribuído aos complexos de compostagem da cidade, onde é misturado a restos de feira para gerar adubo em cerca de 120 dias e distribuído gratuitamente à população. A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) informa que a cidade mantém seis pátios de compostagem, com cada um recebendo entre 300 e 400 toneladas de resíduos por ano.

“Ao invés de usar pedras para forrar os espaços, usamos essa madeira triturada”, afirma a engenheira florestal Isabel Jorge, que supervisiona o pátio de recebimento de toras. “A drenagem melhora, evita ervas daninhas e é mais ecológica. Quando o cavaco entra em decomposição, é só substituir. Fica mais prático.”

Para a fabricação de móveis, o material selecionado no pátio é enviado à marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte, onde ocorre a segunda etapa do reaproveitamento. O caminho envolve secagem das pranchas por cerca de dois meses, para preservar qualidade e evitar fiapos ou empenamento, antes de seguir para a produção pela empresa Florestana, conforme demanda dos parques gerenciados pela SVMA.

Desde fevereiro de 2024, o programa já transformou madeira em diversos itens para os parques. Foram produzidos 45 bancos, 8 escorregadores, 41 conjuntos de piquenique, 201 cerquinhas, 3 passarelas, 15 placas, 1 guarita de segurança, mais de 2 mil bolachas de madeira e materiais para manutenção dos espaços. Os móveis fabricados são destinados a uso em áreas comuns e administrativas dos parques.

A evolução do processo envolve a vistoria dos parques pelos administradores, que definem as necessidades específicas de cada local. Os móveis recebem verniz naval para maior resistência, mantendo o aspecto rústico natural, sem pinturas que alterem a textura da madeira. A prefeitura também realiza ajustes para ampliar o reaproveitamento fora dos parques, mantendo o foco na qualidade e na utilidade para a população.

Além dos benefícios ambientais, o programa gera ganhos econômicos e sociais: reduz desperdício, evita deslocamentos de caminhões para aterros distantes, incentiva a produção local e fortalece a oferta de itens de qualidade para as áreas verdes da cidade. Em entrevista, o arquiteto Daniel Henrique Conti, responsável pelas vistorias, ressaltou a alegria de ver o uso prático dos móveis criados para as pessoas que frequentam os parques.

A Prefeitura prepara reformas na marcenaria do Parque Anhanguera para ampliar o repasse de madeira reutilizada e estuda formalizar o uso do material fora dos parques, mantendo o compromisso com parques mais bonitos e naturais. Como disse Isabel Jorge, o objetivo é ampliar o benefício à população, mantendo a qualidade e o respeito ao meio ambiente.

Agora, confira, na prática, uma seleção de imagens que acompanha este tema, retratando a cadeia de reaproveitamento desde a triagem até a entrega de mobiliário para parques municipais.

Galeria de imagens

Essa transformação mostra como um resíduo urbano pode fomentar mobilidade sustentável, educação ambiental e melhoria da qualidade de vida nos bairros. A cidade avança com um modelo que une gestão de resíduos, design urbano e participação comunitária, gerando benefícios diretos para quem usa os parques.

Se você acompanha iniciativas de sustentabilidade, comente abaixo: você acha que esse modelo pode se ampliar para outros municípios e tipos de manejo de resíduos? Quais parques da sua região poderiam se beneficiar de mobiliário feito a partir de madeira de poda?

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