Na madrugada de 23 de dezembro, Helber Alves, produtor audiovisual, sumiu após deixar a casa da irmã em Barueri. A última imagem confirmada é da estação Cidade Jardim, por volta das 2h. Sem postagens ou atendimentos de chamadas, o seu paradeiro continua envolto em silêncio, e as investigações seguem sem respostas definitivas.
Esse caso funciona como espelho de uma realidade maior: em 2025, o Brasil registra números preocupantes de desaparecimentos. No primeiro semestre, 77.041 pessoas foram registradas como desaparecidas, equivalente a cerca de 231 pessoas por dia. Entre elas, 21.871 eram crianças e adolescentes, um dado que deveria ganhar destaque diário na imprensa.
Além disso, a desigualdade racial aparece nos números: 54,3% das pessoas desaparecidas são negras, enquanto a chance de localização é menor para essas pessoas em comparação com as brancas, que respondem por 54,1% dos casos de localização. Esse padrão passa da estatística para a invisibilidade de vidas negras, revelando uma lógica de busca que não é igual para todos.
O Brasil tem ferramentas teóricas para responder a esses casos, como a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (desde 2019) e o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (SINALID), criado para centralizar informações. Na prática, porém, persistem falhas: integração insuficiente entre bancos de dados, difícil acesso a registros em tempo real, falta de interoperabilidade entre forças de segurança e ausência de ferramentas de busca ativa ligadas a redes sociais.
Especialistas em criminologia e segurança pública ressaltam que os primeiros 48 a 72 horas são cruciais para aumentar as chances de localização. No caso de Helber, mesmo com mobilização familiar e pressão pública, as respostas ainda são vagas, evidenciando limitações sistêmicas.
Essa realidade não se resume a desafios técnicos: aponta para uma estrutura de políticas públicas que não oferece resposta rápida, inclusão de dados e abordagem equitativa. A ausência de uma política de busca imediata e de dados integrados gera uma atuação reativa, em vez de proativa, deixando famílias dependentes de pistas que aparecem de forma incidental.
O que acontece com Helber é reflexo do que ocorre com milhares de brasileiros em 2025: pessoas somem, números aparecem e, muitas vezes, faltam ações consistentes para localizá-las. É hora de repensar como tratamos as ausências, as desigualdades e o valor de cada vida que some das estatísticas. O desafio é transformar promessas legais em uma busca humana, rápida e igualitária.
Quero saber a sua opinião: você acredita que é possível acelerar as buscas e reduzir as desigualdades nas localizações? Deixe seus comentários, sugestões ou perguntas para discutirmos caminhos reais rumo a uma resposta mais ágil e justa para todos os casos de pessoas desaparecidas. Sua participação pode ajudar a ampliar o debate e a pressionar mudanças concretas.

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