O presidente do STF, ministro Edson Fachin, abriu nesta quinta-feira (8) uma programação especial que marca três anos desde os ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, ocorridos em 8 de janeiro de 2023. Em discurso no plenário, Fachin chamou os atos de marco traumático e de “Dia da Infâmia”, expressão usada pela então presidente da Corte, Rosa Weber. “O Estado Democrático de Direito está em crise no mundo contemporâneo”, afirmou, ressaltando que “o preço da democracia e da liberdade é uma eterna vigilância”.
Ele descreveu a resposta institucional como marcada pela firmeza, serenidade e resiliência, ao lembrar a decisão de reabrir o Ano Judiciário em 1º de fevereiro de 2023, apenas 24 dias após a depredação. “Se há caminho a ser trilhado, é porque houve mãos que reconstruíram, limparam, restauraram e defenderam esse caminho”, disse, referindo-se aos servidores.
A atuação do ministro Alexandre de Moraes na condução dos inquéritos e ações penais decorrentes dos fatos também foi mencionada. Fachin ressaltou que a postura foi de firmeza por dever do ofício, exercida “não por bravata”, mas em cumprimento às responsabilidades constitucionais.
A programação incluiu a inauguração da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, no átrio do Espaço do Servidor do STF. A mostra homenageia os servidores que atuaram na recuperação do prédio, com imagens, nomes e relatos. Para Fachin, a exposição é “uma declaração pública de reconhecimento” e “recordar é resistir”.
O documentário “8 de Janeiro: Mãos da Reconstrução”, produzido pela TV Justiça, revisita o episódio pelo olhar de trabalhadores da Corte. A restauradora Lais Bezerra, com 31 anos no STF, descreveu o local como uma segunda casa e afirmou: “Foi isso que mais doeu. A sensação é de que os vândalos talvez não tenham percebido que o STF é feito de pessoas comuns”.
Ela cuidou da recuperação de peças, como a cabeça de bronze da estátua de Têmis, arrancada durante a invasão. O agente de segurança Emerson Freitas relatou cenas “como uma guerra”, com colegas feridos e cabeças sangrando. A brigadista Luciane Oliveira comentou a evacuação: “Era tanta gente que parecia um mar”.
Uma força-tarefa mobilizada para a reconstrução incluiu reposição de mobiliário, tratamento de documentos e obras de arte, além da reinstalação de sistemas. O restaurador Gustavo dos Santos foi responsável pela limpeza da Estátua da Justiça, de Alfredo Ceschiatti, pichada com resina vermelha. “Sinto que, graças ao meu trabalho, o STF pode devolver este monumento intacto aos brasileiros”, afirmou.
O agente da Polícia Judicial Rogério Viana, que atuou na linha de frente, avaliou que a resposta institucional fortaleceu a democracia: “Nossa democracia não foi abalada. Ela foi fortalecida, sem sombra de dúvidas”.
Desde 2023, o STF tem processado e julgado ações penais relacionadas aos atos, com condenações de articuladores e homologação de acordos de não persecução penal para crimes de menor potencial ofensivo, sempre assegurando o devido processo legal e a ampla defesa.
Em síntese, o conjunto de ações e homenagens reforça o compromisso do judiciário com a reconstrução institucional e a proteção da democracia, passo a passo após a violência de 8 de janeiro.
Convido você a deixar a sua opinião nos comentários sobre como a sociedade pode acompanhar e fortalecer a defesa da democracia diante de crises futuras.

Facebook Comments