Centenas de agricultores franceses passaram a noite de sábado na entrada do porto de Le Havre, no nordeste da França, montando uma barreira para controlar a entrada de caminhões. A mobilização é contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado na sexta-feira anterior, e visa impedir a passagem de alimentos que não cumpram normas sanitárias e ambientais previstas aos produtores franceses.
O secretário-geral dos Jovens Agricultores de Seine-Maritime, Justin Lemaitre, disse à rádio Franceinfo que a operação pretende se preparar para segunda-feira, quando se espera a passagem de cerca de 5 mil caminhões por dia no local. Ele ressaltou que não há oposição direta das forças de segurança, que acompanham a ação à distância.
As manifestações ocorrem simultaneamente em outros pontos da França. Na Saboia, aproximadamente 50 agricultores bloqueiam desde quinta-feira o depósito de petróleo de Albens, em Entrelacs; barreiras também foram montadas nas rodovias A63, em Bayonne, e A64, em Carbonne, ao sul de Toulouse.
A mobilização francesa integra uma sequência de protestos na Europa nos últimos dias. Na sexta-feira houve ações na Polônia e na Itália, seguidas por atos na Irlanda e na Espanha no fim de semana.
A FNSEA, principal sindicato agrícola do país, anunciou que dará continuidade à “maratona de mobilizações” para obter resultados concretos. O grupo reconheceu avanços pontuais nas negociações com o governo, principalmente no apoio aos setores em crise, mas criticou a ausência de medidas estruturais.
A estratégia delineada pela FNSEA e pelos Jovens Agricultores se divide em três etapas: primeiro, realizar controles de produtos importados nos portos e rodovias; segundo, mobilizar uma grande manifestação em Estrasburgo no dia 20 de janeiro, em frente ao Parlamento Europeu; terceiro, apresentar uma proposta de lei sobre soberania alimentar para esclarecer a política agrícola francesa.
A ratificação do acordo continua dependente de uma votação no Parlamento Europeu, com a assinatura prevista para o próximo sábado, no Paraguai.
E você, qual é sua opinião sobre o equilíbrio entre comércio internacional e soberania alimentar? Deixe seu comentário e conte como a agenda de políticas agrícolas pode impactar a produção e o consumo na sua região. Sua visão é importante para acompanhar esse debate.

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