DF deixa RJ e MG para trás e vira 2ª UF em carros elétricos vendidos

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O Distrito Federal está cada vez mais consolidado no mercado de vendas de veículos elétricos no Brasil. Dados da ABVE mostram que, no ano anterior, o DF vendeu 21.639 veículos leves eletrificados, ficando atrás apenas de São Paulo (68.618), na soma de veículos leves — passeio e comerciais leves — eletrificados.

Em relação a 2024, foram 15.161 unidades, com um crescimento de 42,73% nas vendas. E, comparando apenas os meses de dezembro de 2024 e 2025, o incremento foi ainda maior, 55,45% (de 1.964 para 3.053).

Vale lembrar que os eletrificados englobam veículos 100% elétricos (BEV), híbridos plug-in (PHEV) e híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex).

Segundo Bastos, a posição de destaque é fruto de vários fatores relevantes: “Primeiramente, os benefícios fiscais relacionados ao IPVA, que representam uma vantagem direta para o consumidor de veículos elétricos”, pontuou o presidente da ABVE.

“Além disso, o perfil do consumidor do DF demonstra grande interesse em novas tecnologias e preocupação com questões ambientais, fatores que impulsionam a adoção de veículos desse tipo”, acrescentou o presidente da ABVE. Essa combinação de elementos, segundo ele, contribui para a consolidação do DF como líder proporcional na eletrificação veicular no Brasil. “Houve meses, no ano passado, que a cidade de Brasília apresentou um volume de vendas superior ao de São Paulo, quando analisado isoladamente”, ressaltou.

Tendência

Brasília está entre os primeiros, ocupando o segundo lugar no ranking dos municípios quando o assunto é venda de eletrificados.

A reportagem buscou o SindiCONDOMÍNIO-DF para entender como a entidade enxerga essa ascensão dos veículos eletrificados. Delzio Oliveira, assessor jurídico, afirma que a iniciativa é benéfica ao meio ambiente, mas destaca a importância da infraestrutura: a principal dificuldade está na inadequação da infraestrutura elétrica existente na maioria dos condomínios, especialmente os mais antigos, para suportar a instalação dos carregadores. Em muitos edifícios, a capacidade dos sistemas elétricos não foi projetada para a demanda adicional, limitando a instalação a menos de 10% das unidades.

Segundo Oliveira, as razões para essa limitação envolvem infraestrutura elétrica desatualizada, necessidade de atualização e conformidade com normas técnicas, além da decisão em assembleia. A disparidade entre edifícios novos e antigos é evidente, e adaptar a infraestrutura em condomínios existentes implica reformas estruturais com investimentos significativos, o que muitas vezes encontra resistência entre condôminos que não pretendem adquirir veículos elétricos.

Diretrizes

Em relação às normas, em agosto do ano passado o CNCGBM/LIGABOM publicou a Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE). O documento estabelece parâmetros mínimos de segurança contra incêndio e controle de riscos em estacionamentos e áreas com pontos de recarga, servindo como referência para bombeiros, construção civil, indústria automotiva, mercado imobiliário, síndicos, universidades e usuários de veículos.

Experiência

O arquiteto Rogério Markiewicz, 61 anos, abriu o caminho entre combustão e eletricidade há 10 anos. Na época, o conhecimento era limitado e ele chegou a comprar o veículo sem saber onde recarregaria. “Inicialmente, não havia como recarregá-lo na garagem, sendo necessário convencer o condomínio a instalar um ponto. Até que isso fosse possível, utilizei um carregador público em um estacionamento de supermercado”, lembrou.

Markiewicz contou que, aos poucos, foi se adaptando e percebeu que a instalação no apartamento facilitou muito a vida. “A economia é o principal atrativo. Antes, gastava mais de R$ 1 mil por mês com gasolina. Hoje, esse valor caiu aproximadamente 75% com a eletricidade”, avaliou.n
Atualmente, o maior desafio é a falta de oficinas especializadas no DF, mesmo com a demanda ainda pequena por manutenção de veículos elétricos.

Preocupações

Para as entidades, as principais preocupações continuam na segurança e na ampliação da infraestrutura.

Delzio Oliveira ressalta a importância da segurança nos condomínios: alguns iniciaram instalações precocemente, sem a devida análise técnica e sem observância das normas da ABNT e das NBRs, que estabelecem requisitos mínimos de segurança.

O presidente da ABVE, Ricardo Bastos, destacou o aprimoramento da estrutura no DF. “O aumento da disponibilidade de pontos de recarga, especialmente carregadores elétricos rápidos, é fundamental para impulsionar ainda mais a eletrificação na região”, avaliou.

O Meio da reportagem questionou o governo local sobre incentivos aos donos de veículos elétricos, isenção de IPVA, projetos de criação de pontos de recarga e fiscalização das instalações condominiais. Até a última atualização, o governo não havia emitido parecer, e o espaço permanece aberto para posicionamentos.

E você, o que acha da expansão dos veículos elétricos na cidade? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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