Empresa usada por “Careca do INSS” pagou R$ 700 mil a ministra do STM. Vídeo

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Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf, encaminhados à CPMI do INSS, apontam pagamentos da ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A a escritórios de advocacia vinculados a ministros. O destaque é o pagamento de R$700 mil ao escritório da Verônica Sterman, ministra do Superior Tribunal Militar, em período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, ou seja, antes de ela tomar posse no STM.

A ACX ITC também teria pago R$595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, após ele deixar a Corte. A coluna não identificou processos em que Cordeiro tenha defendido a ACX ITC. Sterman afirma que o pagamento refere-se a três pareceres jurídicos sobre temas criminais ligados à contratante e nega qualquer relação entre a empresa e o “Careca do INSS”.

A ACX ITC foi criada em São Paulo, por Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa. Durante a pandemia, Erika recebeu o Bolsa Família entre 2014 e outubro de 2021 e, segundo a Junta Comercial, chegou a registrar a posse de metade do capital da empresa, que teve capital de R$101,2 milhões. A Polícia Federal aponta que a ACX ITC era uma das firmas usadas para ocultar o fluxo de recursos do “Careca do INSS” e recebeu pelo menos R$4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos.

Segundo a PF, a Arpar era uma empresa de passagem que ajudava a fragmentar o fluxo financeiro para dificultar o rastreio da origem criminosa, com recursos dispersos entre várias firmas, incluindo a ACX ITC. Apesar da suposta escala, a presença online da empresa é reduzida: apenas uma página no Instagram atualizada pela última vez em abril de 2023 e um site fora do ar.

Uma das ações envolvendo vítimas é a advogada Fernanda Teixeira de Souza, de Florianópolis, que depositou R$780 mil em 2022 em favor da ACX ITC e, a partir de fevereiro de 2023, não conseguiu acessar o site nem resgatar os valores. Ela afirma que a ACX ITC integrava o RCX Group, alvo da CPI das Pirâmides Financeiras em 2023, e disse ter sido enganada pela promessa de dividendos e pelo estilo de vida ostentado pelos sócios.

A CPI das Pirâmides Financeiras pediu o indiciamento de pessoas ligadas ao RCX Group, e a coluna não conseguiu contato com os responsáveis pelo grupo. As investigações continuam para esclarecer eventuais irregularidades envolvendo a ACX ITC, Verônica Sterman, Nefi Cordeiro e demais envolvidos.

Se você acompanhou este tema, compartilhe nos comentários suas opiniões sobre as denúncias e as investigações em torno de operações financeiras envolvendo figuras públicas. Sua participação é importante para debatermos as consequências e as medidas de transparência no setor.

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