Gafisa, Ambipar e Light: os negócios “compartilhados” por Vorcaro e Tanure

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Nesta quarta-feira (14/1), o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Nelson Tanure apareceram lado a lado pela primeira vez na Polícia Federal (PF), durante a nova fase da operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude financeira envolvendo papéis do Banco Master. Mesmo sob investigação, os dois já figuram juntos como sócios de diferentes empresas de capital aberto.

Em um dos casos, a atuação conjunta de Tanure e Vorcaro é alvo de um processo na CVM. A equipe técnica da autarquia aponta que fundos ligados ao Master e a Tanure teriam agido em conluio com o fundador da Ambipar para inflar artificialmente o valor de mercado da companhia. Essa movimentação levou a uma valorização expressiva das ações da Ambipar, que subiram cerca de 800% em três meses, favorecendo Tanure na disputa pelo leilão da EMAe (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). As ações valorizadas da Ambipar teriam sido utilizadas como garantia no negócio com a estatal, em operação relacionada ao Phoenix FIP, em que Tanure é investidor de referência.

Tanure acabou vencendo o leilão, mas perdeu o controle da EMAe após não honrar os pagamentos. No último ano, porém, a EMAe investiu cerca de R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, que integra o conglomerado do Banco Master.

Outra empresa que apresenta interseção entre Vorcaro e Tanure é a Light, concessionária de energia do Rio de Janeiro, na qual os dois chegaram a deter 35% das ações em 2024. Vorcaro integrou suas ações na Light, que estavam em fundos da WNT, a uma negociação de ativos com o BTG Pactual, de André Esteves, em julho de 2025. A operação rendeu a Vorcaro cerca de R$ 1,5 bilhão.

Outra companhia com pontos em comum é a Gafisa, uma das maiores construtoras do Brasil. Tanure é o principal acionista da empresa, que, entre 2019 e 2022, aplicou R$ 325,6 milhões no fundo Brazil Realty FII. O fundo é alvo de outra investigação da CVM, que apura uma suposta relação envolvendo Vorcaro.

As investigações, conduzidas pela PF e pela CVM, continuam para esclarecer as relações entre as partes e o eventual impacto em operações relevantes do mercado de capitais. Enquanto isso, os vínculos entre Tanure, Vorcaro e as diversas empresas citadas permanecem no centro das apurações.

O que você acha dessas informações? Compartilhe suas opiniões e perguntas nos comentários para debater como esses desdobramentos podem afetar o ambiente regulatório e as empresas envolvidas.

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