Teatro de Contêiner: Prefeitura, Enel e Sabesp fazem BO contra “gatos”

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A Câmara Municipal de São Paulo confirmou que a Prefeitura, em parceria com a Sabesp e a Enel, registrou um boletim de ocorrência contra o Teatro de Contêiner por ligações clandestinas de água e energia, conhecidas como gatos. A ação ocorre em meio a uma disputa judicial pelo terreno central da cidade, com a administração municipal e a companhia teatral já travando acerto sobre o destino do espaço.

Segundo a prefeitura, as irregularidades ficaram evidentes quando o espaço foi retomado pela administração pela manhã, atendendo a uma decisão judicial. O acesso ao local foi lacrado pelas autoridades, e um inquérito de desobediência já tramita para apurar o descumprimento de ordem de desocupação.

Na última segunda-feira (12/1), a 5ª Vara da Fazenda Pública decidiu que a Cia. Munguzá, responsável pelo teatro, perdeu o prazo para deixar o imóvel. Por 10 anos, o espaço público culturalmente relevante abrigou espetáculos de artes cênicas, música e dança.

A administração municipal afirma que, com a transferência da área para a Cohab, está prevista a construção de unidades habitacionais, além de espaços de lazer e convivência integrados ao plano de recuperação da região central do município.

Disputa pelo terreno do Teatro de Contêiner

A disputa entre a Prefeitura e a Companhia Munguzá teve início em maio de 2025, quando artistas foram surpreendidos por uma notificação extrajudicial de despejo com prazo de 15 dias para desocupação do terreno. Em setembro do ano passado, a Justiça de São Paulo deu 90 dias para a saída do endereço na Rua dos Gusmões. Além do custo de mudança, o grupo cultural teme o risco de novo despejo no endereço proposto pela Prefeitura, na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos, já que pedido original era de 30 anos, mas a contraproposta ficou em dois anos.

“Nessas condições, permanecemos sem possibilidades de avançar. Não podemos transferir o teatro para um espaço de onde possamos ser removidos novamente a qualquer momento”, afirmou a companhia em nota publicada nas redes sociais. No fim de dezembro, após o fim do prazo de desocupação, o Teatro de Contêiner informou ao Metrópoles que aceitou o novo endereço, mas admitiu não ter recursos para realizar a mudança.

Em nota, a prefeitura disse ter oferecido apoio financeiro de R$ 100 mil para viabilizar a desocupação, mas os responsáveis pelo teatro cobraram R$ 2 milhões, valor considerado incompatível pela gestão municipal. A administração ressalta que já havia contribuído com dívidas de apoio às atividades do grupo, com aportes significativos ao longo dos anos, e que ofereceu quatro espaços para realocação no centro, incluindo as vias Rua Conselheiro Furtado, Rua Helvétia e Rua João Passaláqua, além de R$ 100 mil para facilitar a mudança.

O Metrópoles tentou contato com a Companhia Munguzá e não obteve retorno até o momento. O espaço permanece aberto a atualizações conforme o andamento do caso.

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