Protestos na Dinamarca e na Groenlândia rejeitam o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de se apoderar da Groenlândia. Milhares saíram às ruas de Copenhague e de Nuuk, neste sábado (17), para expressar oposição à pretensão norte-americana e marcharam sob a bandeira groenlandesa, com mensagens como “Os Estados Unidos já têm gelo suficiente” e “Make America Go Away”.
Em Nuuk, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, participou dos protestos carregando a bandeira do território autônomo dinamarquês. Um manifestante afirmou que não querem que Trump invada a Groenlândia, reforçando o debate sobre o direito do povo groenlandês de decidir seu próprio futuro e a necessidade de não se intimidar por qualquer Estado ou aliado. As ações contaram com o apoio de organizações locais como Uagut, o movimento “Mãos Fora da Groenlândia!” e o coletivo Inuit.
Além de Copenhague, houve manifestações em outras cidades dinamarquesas. A presidente voluntária da ONG Action Aid Dinamarca, Kirsten Hjoernholm, ressaltou à AFP que o povo groenlandês deve decidir o próprio destino e que é uma questão de direito internacional. A mobilização na capital reuniu diversas vozes groenlandesas que buscam ampliar a repercussão da causa perante a comunidade internacional.
Os organizadores aproveitaram a presença de uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA em Copenhague para discutir a situação com a Groenlândia. Desde que reassumiu o poder, há cerca de um ano, Trump tem reiterado o interesse de controlar a Groenlândia, a fim de frear a influência da Rússia e da China no Ártico. Um assessor de Trump, Stephen Miller, reafirmou o interesse norte-americano na ilha.
Autoridades dinamarquesas participaram de uma reunião em Washington, na qual concluiram que, por ora, não é possível fechar um acordo com os EUA. Enquanto isso, líderes europeus mostraram apoio à Dinamarca, membro fundador da Otan, e uma missão militar europeia foi enviada à Groenlândia para tarefas de exploração. Na sexta-feira, Trump ameaçou aplicar tarifas a países que não respaldassem seus planos sobre a ilha.
Segundo uma pesquisa de janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses rejeitam a ideia de integrar os Estados Unidos. Durante o final de semana, a delegação bipartidária do Congresso dos EUA externou apoio à Dinamarca e à Groenlândia, destacando os 225 anos de aliança entre os dois países e a necessidade de explorar formas de fortalecer a segurança no Ártico.
Agora, a pauta segue em aberto, com a comunidade internacional observando os próximos passos entre Dinamarca, Groenlândia e Washington. E você, o que pensa sobre o papel da Groenlândia no cenário político do Ártico e as implicações de intervenções externas? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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