Escalada no caso do Banco Master assusta mercado financeiro

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O mercado financeiro encerra a semana em estado de alerta com a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve entre os alvos o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, hoje CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, sediada em São Paulo.

Na ação mais recente, a autoridade monetária liquidou a Reag Trust, ampliando o escopo da investigação para além do Master. O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, também foi atingido pela operação da PF, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele por determinação do STF. Outros nomes de peso, como Nelson Tanure, também passaram pela nova etapa.

A apuração sobre irregularidades do Banco Master reacende a tensão entre as instâncias do Judiciário e a PF. Na quinta-feira (15/1), o ministro Dias Toffoli autorizou quatro peritos da PF a acessarem diretamente todo o material apreendido, flexibilizando o controle anterior que previa nova análise pelo STF antes da extração de dados. Propósito: ampliar a participação das provas na investigação.

A decisão de Toffoli mudou o entendimento anterior de que a análise dos dados ficaria sob responsabilidade da PGR, com os equipamentos permanecendo sob custódia do STF. A PF justificou que a medida evita prejuízos à apuração, argumento que acabou sendo acolhido pelo ministro e pela Procuradoria.

A condução da investigação chegou ao STF no fim de 2024, quando Toffoli decretou sigilo sobre o processo. A primeira fase, realizada em novembro de 2025, resultou na prisão de Vorcaro e de outros envolvidos, ampliando as dúvidas sobre o monitoramento de instituições financeiras ligadas ao caso.

A dimensão do caso, o alcance maior das investigações e as idas e vindas em decisões judiciais deixaram os agentes do mercado ainda mais temerosos. Não necessariamente pela certeza do que acontecerá com os investigados, mas pelos efeitos potenciais ao próprio sistema financeiro.

Para analistas, o episódio evidencia uma crise de confiança, porém sem contágio imediato do setor. A preocupação não é somente jurídica, mas de credibilidade regulatória e de precificação de ativos. Segundo Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, a crise pode provocar aversão ao risco e reduzir investimentos, sem, porém, gerar um colapso sistêmico.

“O mercado e as instituições financeiras estão blindadas. O que pode ocorrer, aí sim, é uma crise de credibilidade na regulação. Uma crise regulatória não impactaria diretamente o mercado. Seria muito mais uma crise de confiança, que talvez diminuísse os volumes dos aportes. No limite, o investidor pode, eventualmente, perder a confiança na CVM, no BC, e as empresas podem deixar de operar. Tudo isso seria um efeito secundário”, explica.

É consenso entre especialistas que as questões envolvendo o STF aumentam o risco de ativismo jurídico no Brasil, elevando a percepção de incerteza. A credibilidade já foi impactada e isso tende a se refletir nos preços de dívida e na precificação de ativos, embora não haja, até o momento, sinais de risco sistêmico maior.

Mas a escalada da crise não tem capacidade de levar a um contágio generalizado no setor financeiro. “Talvez apareça alguém importante no decorrer das investigações, mas não o bastante para provocar um efeito de R$ 40 bilhões novamente. O que aconteceu já está precificado, tanto financeiramente quanto em reputação”, avalia Queiroz. Bruno Shahini, da Nomad, também aponta que as revelações até agora não constituem fonte suficiente para um terremoto no mercado, destacando que o BC classifica a Reag de forma contida no segmento prudencial.

Para Shahini, o movimento é entendido como um evento isolado: “o caso não gera risco sistêmico ao sistema financeiro. A reação negativa só ocorreria se as investigações alcançassem instituições de maior relevância ou mostrassem risco de contágio financeiro.”

Sobre o FGC, os impactos, segundo especialistas, devem permanecer pontuais. O fundo, que atua como um seguro para depósitos e investimentos, envolve cerca de 250 instituições associadas. A cobertura é de até 250 mil reais por cliente, e estimativas indicam que o ressarcimento a clientes elegíveis pode chegar a aproximadamente 41 bilhões de reais. A maior parte dos recursos do FGC está preparada para sustentar a proteção aos clientes caso haja quebra de instituições associadas.

Impacto deve ser restrito e “pontual” – para Queiroz, a nova etapa da Compliance Zero deve concentrar-se nas gestoras envolvidas com Master, não prejudicando o mercado como um todo. Mesmo que haja consequências para algumas empresas, o cenário é de contenção e precaução, sem indicar risco de desorganização financeira ampla, segundo analistas.

Bruno Shahini, da Nomad, reforça a leitura de que o caso não gera risco sistêmico, já que o MA e o regulador permanecem atentos e preparados. Ele aponta que o ambiente regulatório e o mercado já precificaram o tamanho do rombo no FGC, e qualquer novo desdobramento tende a ter efeito limitado.

Se você tem opinião sobre o impacto de decisões regulatórias na confiança dos investidores e no custo de capital no Brasil, deixe seu comentário. Como você avalia o risco de contágio no cenário atual e a credibilidade das instituições regulatórias diante de casos como o Master e a Reag?

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