Da arma de fogo ao crime virtual: os novos desafios da segurança pública

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Meta description: O crime acompanha a evolução digital; a segurança pública do Distrito Federal investe em IA, Big Data, LPR e reconhecimento facial para modernizar a proteção ao cidadão, com automação de respostas e uma visão de cidade inteligente.

O crime acompanha a evolução da sociedade. À medida que relações, economia e serviços migram para o ambiente digital, a criminalidade também se transforma. Dados pessoais tornam-se ativos valiosos, atraindo golpes que usam engenharia social, fragilidades tecnológicas e a exploração de grupos mais vulneráveis. Em muitos casos, a arma de fogo cede espaço ao crime virtual, praticado pela persuasão, pelo anonimato e pela automação.

Na prática, em muitos casos, a arma de fogo dá lugar ao crime virtual, praticado por meio da persuasão, do anonimato e da automação.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que fraudes e estelionatos no ambiente online crescem de forma sustentada, superiores à média dos delitos patrimoniais tradicionais.

Estratégias para enfrentar o crime contemporâneo passam por compreender, antecipar e atuar sobre os movimentos da criminalidade, em vez de apenas reagir a eles.

Com a atuação de organizações criminosas em rede, atravessando fronteiras digitais e se tornando tecnologicamente mais sofisticadas, respostas baseadas apenas em modelos reativos tornam-se ultrapassadas e ineficazes.

Estratégias para enfrentar o crime contemporâneo passam por compreender, antecipar e agir sobre os movimentos da criminalidade, em vez de apenas reagir a eles.

A modernização do aparato estatal deixa de ser mera conveniência e se transforma em imperativo para a preservação da ordem pública e a melhoria da sensação de segurança da população.

A tecnologia surge como espinha dorsal das estratégias de segurança pública, por meio da utilização de Inteligência Artificial (IA) e da Big Data, integrando bases de dados biométricos, registros criminais e informações operacionais.

Tais ferramentas, no entanto, só rendem resultados consistentes quando inseridas em um ecossistema robusto, com sistemas confiáveis e interoperáveis, que viabilizem a correlação de dados biométricos, registros criminais e informações operacionais.

No Distrito Federal, esse processo já está em curso. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSPDF) vem avançando no uso de ferramentas inteligentes, como a leitura automática de placas (LPR) e o reconhecimento facial, para localizar pessoas desaparecidas e indivíduos procurados pela Justiça. A diretriz é criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de soluções que auxiliem na análise dos fenômenos criminais, na melhor alocação de recursos policiais e na melhoria da sensação de segurança.

Isso representa um modelo em que sensores, câmeras e sistemas de informação atuam de forma integrada, viabilizando respostas mais rápidas e decisões mais qualificadas.

Automação — uma prática recente é o envio de mensagens automáticas ao cidadão após o acionamento dos números de emergência 190 e 193, convertendo uma simples chamada de voz em um fluxo estruturado de dados, com geolocalização precisa e maior nível de interação. O resultado é a redução do tempo de resposta e o aumento da eficiência no atendimento, com reflexos diretos na preservação de vidas.

Para os próximos anos, o desafio é desenvolver um projeto ambicioso, baseado no conceito de cidade inteligente, no qual a segurança pública atua como um de seus pilares.

O objetivo não se resume à integração das forças de segurança, mas envolve a articulação com diversos órgãos governamentais, estruturando uma arquitetura moderna de proteção ao cidadão e posicionando o Distrito Federal na vanguarda da tecnologia da informação aplicada à segurança pública.

Thiago Frederico de Souza Costa é delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), especialista em Altos Estudos em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG); em Direito Penal, pela Universidade Federal de Goiás; e em Gestão de Polícia Civil, pela Universidade Católica de Brasília e pela Academia de Polícia Civil do Distrito Federal; atualmente exerce a função de secretário-executivo de Gestão Integrada da SSP-DF.

A transformação digital na segurança pública aponta caminhos que vão além da vigilância: envolve planejamento, governança e participação da sociedade. E você, qual aspecto dessas mudanças impacta mais a sua vida na cidade? Compartilhe suas??, dúvidas ou sugestões nos comentários abaixo para continuarmos essa conversa.

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