A defesa de Carla Zambelli argumentará na Corte de Apelação de Roma que a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, viola direitos humanos. A confirmação veio do advogado da ex-deputada ao UOL. A audiência está marcada para esta terça-feira (20) às 9h, e a expectativa é que Zambelli compareça.
Sammarco não detalhou os argumentos completos, mas afirmou que preparou uma defesa aprofundada e que as condições da Colmeia são dramáticas e não respeitam os direitos humanos. A base é um relatório de 11 páginas enviado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes à Justiça italiana, a pedido da corte, que descreve as condições do presídio e traz fotos do local.
Os advogados Pieremilio e Alessandro Sammarco tiveram um mês para examinar o material, desde a última audiência, em 18 de dezembro. Naquela ocasião, a sessão foi desmarcada porque a defesa informou ter recebido o documento apenas um dia antes e pediu prazo para análise. Os juízes aceitaram o pedido.
Segundo a defesa, a documentação enviada pelo STF está incompleta. Faltam imagens do banheiro e da cela onde Zambelli poderia cumprir a pena, caso extraditada.
Esta foi a terceira vez que a audiência foi remarcada, a pedido da defesa. A primeira estava marcada para 27 de novembro, mas foi adiada por causa de greve dos advogados. A segunda ocorreu em 4 de dezembro, quando a defesa pediu tempo para analisar um parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que na época defendia a manutenção do mandato. O parecer foi rejeitado dias depois pela CCJ, que votou pela cassação.
Em 14 de dezembro, após o plenário da Câmara manter o mandato e o STF annular a decisão, Carla Zambelli apresentou sua carta de renúncia ao cargo de deputada federal.
Ela foi presa na Itália em julho. Em outubro, o Ministério Público italiano já havia manifestado apoio à extradição para o Brasil. Os adiamentos sucessivos são vistos como estratégia para ganhar tempo, mantendo a ex-parlamentar em território italiano.
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