O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, 44 anos, está preso desde a noite da última sexta-feira (16/1) após atirar e matar dois colegas de profissão em frente a um restaurante de luxo na Avenida Copacabana, Barueri, na Grande São Paulo. As vítimas foram Luís Roberto Pellegrini Gomes, 43, e Vinicius dos Santos Oliveira, 35, que já tinham relação próxima com o suspeito.
Antes do crime, câmeras de segurança mostram que Carlos Alberto discutiu com as vítimas dentro do restaurante. A investigação aponta que o desentendimento pode ter relação com disputas contratuais entre empresas que atuam na gestão hospitalar, já que eles eram sócios de negócios no setor.
Em maio de 2024, o médico teria agredido a sobrinha durante uma visita ao filho. A vítima, então com 26 anos, contou que o tio tinha problemas psiquiátricos; a ex-mulher dele afirmou ter sido ameaçada de morte e conseguiu uma medida protetiva contra ele.
O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por ausência de exame de corpo de delito para documentar as agressões, ainda que a sobrinha tenha apresentado fotos dos hematomas. A promotora Juliana Montezuma Lacerda Haddad ressaltou que as versões eram controversas e não havia elementos probatórios suficientes para oferecer denúncia.
Em comunicado divulgado à imprensa, a empresa de Carlos Alberto, a Cirmed Serviços Médicos, afirmou que o desentendimento ocorreu em âmbito estritamente pessoal e não reflete os valores da instituição, deixando claro que fatos isolados não correspondem às atividades institucionais.
De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelas investigações, Carlos Alberto e Luís Roberto Pellegrini Gomes eram donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar, disputando contratos. O terceiro médico envolvido, Vinicius dos Santos Oliveira, era funcionário de Pellegrini e também estava no restaurante durante o ataque.
Câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos Alberto atira após deixar o restaurante. Uma gravação externa mostra Pellegrini e Oliveira caminhando pelo estacionamento quando o médico aparece por trás e dispara. Segundo a decisão que decretou a prisão preventiva, guardas civis foram acionados antes dos disparos, encontrando marcas de agressões e sem arma na posse do suspeito; minutos depois ele reaparece com a arma, que, segundo testemunhas, teria sido entregue por uma mulher.
Metrópoles detalha que a Cirmed tinha contratos com a Fundação ABC, organização social de saúde, para gerir hospitais em São Bernardo do Campo. A Fundação foi citada pela Polícia Federal em investigações anteriores, mas não foi apontada no inquérito em questão.
O desfecho do caso envolve questões de mercado entre empresas de gestão hospitalar, violência entre profissionais de saúde e as implicações legais de investigações com versões divergentes. Como tem repercussão na segurança de profissionais e na relação entre actores do setor, o tema continua a gerar dúvidas sobre controles internos e medidas de proteção no ambiente hospitalar.
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