O presidente russo Vladimir Putin reuniu-se nesta quinta-feira (22/1), em Moscou, com enviados de Donald Trump para discutir caminhos para a resolução do conflito na Ucrânia. Segundo o Kremlin, o encontro visou avançar o diálogo entre as partes, com a participação de Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, e Jared Kushner, genro de Trump, ao lado de Yuri Ushakov e Kirill Dmitriev pela parte russa.
O Kremlin informou que a reunião entre Putin e Witkoff durou mais de três horas e meia, e Dmitriev destacou que as conversas com autoridades norte-americanas foram importantes para o avanço do diálogo entre as partes.
Durante a coletiva, Trump afirmou que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky estaria disposto a aceitar os termos de um acordo de paz, sem detalhar o conteúdo, limitando-se a dizer que os parâmetros já são conhecidos. A leitura dos envolvidos, porém, diverge, com Zelensky mantendo resistência a concessões territoriais.
Antes do encontro com Putin, Witkoff indicou que as tratativas chegaram a um ponto de impasse, sem detalhar qual seria.
Territórios como obstáculo
Entre os temas em pauta, a Rússia exige que a Ucrânia abandone oficialmente as reivindicações sobre Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye, regiões que passaram ao controle russo em 2022 após referendos não reconhecidos internacionalmente. Kiev não reconhece esses territórios como parte da Rússia, e Zelensky tem reiterado a posição ucraniana, ainda que tenha admitido, no mês passado, a possibilidade de um referendo interno sobre eventuais concessões — hipótese que enfrenta forte resistência política no país.
- A Rússia exige que a Ucrânia abandone oficialmente as reivindicações sobre Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhye;
- Kiev rejeita reconhecer os territórios como parte da Rússia;
- Zelensky mantém a posição oficial, apesar de ter citado, recentemente, a possibilidade de um referendo interno sobre concessões territoriais, sujeita a resistência política.
Zelensky afirmou que um primeiro encontro trilateral entre Ucrânia, Estados Unidos e Rússia pode ocorrer nos próximos dias, nos Emirados Árabes Unidos. A ideia de negociações com os três lados tem sido uma das apostas de Trump para encerrar o conflito. Moscou diz não se opor a um encontro direto entre Putin e Zelensky, desde que haja avanços concretos no processo de paz.
Enquanto o Kremlin atua para ampliar o diálogo com Washington, Trump defende a viabilidade de uma reunião trilateral, enquanto autoridades envolvidas nas negociações afirmam que apenas passos concretos no processo de paz podem destravar um acordo. O cenário mostra que as questões territoriais continuam no centro das dificuldades.
Segundo Witkoff, o governo russo solicitou o encontro, destacando o peso político desse movimento no esforço por um acordo. A expectativa de uma reunião entre líderes de alto nível, incluindo Putin e Zelensky, permanece condicionada a avanços práticos nas negociações.
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