Um estudo do Pew Research Center, divulgado em 21 de janeiro, mostra uma transformação profunda no cenário religioso da América Latina. A pesquisa, realizada na primavera de 2024 com 6.200 adultos na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, aponta trajetórias distintas para catolicismo, protestantismo e não filiação religiosa.
O catolicismo, historicamente dominante, continua a recuar. Desde 1900, quando a grande maioria dos latino-americanos era católica, a presença da Igreja diminuiu de forma significativa; em alguns países, a retração se aproxima de 50% ao longo de 125 anos.
O protestantismo permanece relativamente estável, com o movimento evangélico em ascensão em algumas nações. Além disso, o grupo sem filiação religiosa—agnósticos, ateus ou pessoas sem identidade religiosa—cresceu de forma consistente, com ganho de 7 pontos percentuais ou mais, chegando a representar entre 12% e 33% da população nos seis países.
O estudo aponta que cerca de dois em cada dez adultos deixaram o catolicismo. Parte desses ex-católicos passou a se declarar sem religião, enquanto outra parcela passou a se identificar como protestante. O instituto usa os termos “mudança religiosa” ou “transição de religião” para descrever esse fenômeno, apontado como uma das razões para o declínio católico.
Apesar das mudanças institucionais, a religiosidade continua forte na região. Em média, os latino-americanos seguem sendo muito religiosos, com cerca de nove em cada dez pessoas afirmando acreditar em Deus. A fé ocupa papel central para metade ou mais dos entrevistados no Brasil, Colômbia, México e Peru.
Em relação ao Protestantismo, o estudo aponta uma estabilidade regional, com crescimentos pontuais. O Brasil tem a maior parcela de evangélicos, alcançando 29% da população, seguido por Chile (19%), Peru (18%), Argentina (16%) e Colômbia (15%). O México registra 9%.
Os protestantes são os que mais afirmam que a religião é muito importante na vida e os que mais costumam frequentar cultos semanalmente, em comparação com católicos e pessoas sem religião. O catolicismo, por sua vez, continua a apresentar queda em todos os seis países.
Conclusão do estudo: há uma mudança estrutural no perfil religioso da América Latina, marcada pela diversificação da fé, pelo crescimento do grupo sem filiação religiosa e pela manutenção da força social da religiosidade na cultura da região.
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