Jaques Wagner pediu emprego no Master para Guido Mantega. Vídeo

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O Banco Master contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para assessoria, a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A remuneração apontada é de R$ 1 milhão por mês, conforme apurado pela coluna junto a integrantes da instituição.

Em um evento em Maceió (AL), nesta sexta-feira (23/01), o presidente Lula foi duro com o Master, sem citá-lo nominalmente, ao acusar o dono da instituição, Daniel Vorcaro, de promover um “golpe de mais de 40 bilhões” e cobrar “falta de vergonha na cara” de quem o defende. O tom contrasta com ligações anteriores entre o núcleo petista e o grupo.

Mantega só conseguiu a vaga graças à intervenção de Jaques Wagner; ele iniciou a trabalhar para o Master depois que o governo desistiu de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale.

Mesmo com a Vale hoje privada, o governo ainda exerce influência sobre a empresa via concessões públicas e investimentos de fundos de pensão de estatais. Além disso, interlocutores do mercado chegaram a contestar a indicação de Mantega, entendendo-a como uma interferência indevida de Lula na empresa.

No Master, a tarefa de Mantega era facilitar a venda da empresa de Vorcaro ao BRB. Ele prestou consultoria até poucas semanas antes da liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. Os pagamentos recebidos pela instituição controlada por Vorcaro teriam chegado a pelo menos R$ 11 milhões.

A relação mais próxima de Wagner dentro do Master era com o sócio dele, Augusto Lima, ex-CEO, que também é amigo do chefe da Casa Civil, Rui Costa. Lima esteve no palanque do evento em que Lula proferiu as críticas ao banco, reforçando os vínculos entre as partes.

Entre as visitas ao Planalto, Mantega esteve pelo menos quatro vezes em 2024, sempre sendo recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Marcola. A agenda oficial registra apenas “encaminhamento de pauta”, sem detalhes. Os encontros ocorreram em 22 de janeiro, 1º de abril, 29 de outubro e 4 de dezembro, no 3º andar do Planalto. Informações da Agenda Transparente, da ONG Fiquem Sabendo, indicam que as agendas não citavam o Master; em 2025, o columnista Lauro Jardim informou que houve um encontro não registrado entre Lula e Vorcaro em 2024.

Procurado, Daniel Vorcaro não comentou. A coluna também não conseguiu contato com Jaques Wagner nem Guido Mantega na noite de sexta-feira (23/01). O espaço permanece em aberto para esclarecimentos.

O episódio lança luz sobre as complexas relações entre governo, setor financeiro e empresários no Brasil, com sinais de que a influência pública pode se estender a agendas privadas. O Banco Central decretou a liquidação do Master no fim do ano anterior, fechando um capítulo conturbado da instituição.

E você, o que acha desse episódio? Compartilhe sua opinião sobre contratos envolvendo ex-ministros e a relação entre autoridades e empresas no Brasil nos comentários. Sua visão ajuda a entender melhor esse tema que afeta a atuação de bancos e governos no dia a dia da economia.

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