O Torre Palace, ícone de Brasília desde 1973, será implodido em uma megaoperação programada para este domingo (25/1). Para Daniel Pereira de Moraes, 46 anos, o hotel não é apenas concreto e vidro: é um arquivo vivo de afeto, trabalho e memórias da família que ajudou a erguer a construção.
Inaugurado em 1973 pelo empresário libanês Jibran El-Hadj, o Torre Palace tinha 14 andares, 140 apartamentos e uma vista privilegiada para o Eixo Monumental. Ao longo de décadas, recebeu autoridades, diplomatas e empresários, consolidando-se como um dos principais destinos de luxo da capital federal.
Após a morte do fundador, o edifício entrou em decadência, encerrou atividades e passou a sofrer invasões e depredações, tornando-se um símbolo de insegurança e deterioração urbana no Setor Hoteleiro Norte.
Para Daniel, o Torre Palace sempre foi parte da rotina da família. A mãe vendia cama, mesa e banho na localidade, e tios, primos e irmãos passaram pelo hotel, que se tornou um ponto de encontro. Entre as lembranças, está a colossal escada panorâmica e a sensação de olhar o horizonte de Brasília.
O Torre Palace também recebeu personalidades de peso. Em outubro de 1973 hospedaram-se três jogadores da Seleção Brasileira campeã mundial: Carlos Alberto Torres, Zé Maria e Rivellino; no mês seguinte passaram Os Diagonais e os cantores Jair Rodrigues e José Cipriano. Essas visitas ajudaram a firmar o prestígio do hotel no cenário nacional.
Entre as memórias da infância, Daniel relembra festas de fim de ano e um momento especial vivido ali: uma esfiha inesquecível preparada pela tia da família, que trabalhava na cozinha do prédio. Hoje, ao passar pelo Setor Hoteleiro Norte, ele sente o contraste entre o estado antigo e o coração que guarda a história.
“Seus braços ajudaram a erguer o Torre Palace Hotel. O Sr. Natal, como o chamávamos, mal sabia que aquele canteiro de obras se tornaria o coração da nossa família: ali trabalharam minha tia, meus irmãos, primos e amigos”.
A infância ficou marcada pelos corredores amplos e pela escada panorâmica. Daniel relembra ainda que uma brincadeira envolvia ver quem subia ao 13º andar, com o prêmio sendo uma esfiha e um suco de laranja preparado pela cozinheira da família. Mesmo com o passar do tempo, esse cenário permanece vivo na memória dele.
“O hotel foi palco de vida. Ali nasceram romances e casamentos que duram até hoje, nutridos pelos laços que o Torre ajudou a criar”, afirma. Entre as memórias, também aparecem festas de fim de ano e momentos de alegria que ficaram registrados no prédio.
Hoje, ao percorrer o Setor Hoteleiro Norte, o sentimento é de contraste. “O olhar de adulto lamenta o estado do prédio, mas o coração do menino que fui faz um upload imediato de alegria”, diz.
“O Torre Palace pode ter mudado, mas a história do Sr. Natalício e de nossa família permanece intacta, pronta para ser contada aos meus filhos.”
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A história do Torre Palace é marcada por momentos de glória e de desgaste, que agora desembocam na demolição anunciada para a megaincidente de Brasília. O registro das memórias, especialmente das pessoas que conviveram com o hotel, permanece vivo nas lembranças da cidade.
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