Ataques de colonos israelenses esvaziam aldeias da Cisjordânia

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Para Jamila Rashid, Ras Ein el-Auja, uma aldeia palestino-beduína no sul do Vale do Jordão, foi o lar de sua família por décadas. No início de janeiro, porém, ela precisou partir devido ao aumento da violência dos colonos contra palestinos e seus bens na Cisjordânia.

Segundo as Forças de Defesa de Israel e o Shin Bet, ataques por colonos extremistas contra palestinos e forças israelenses aumentaram 27% em 2025 ante o ano anterior. A violência cresce desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, conforme o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que registrou mais de 700 famílias deslocadas na Cisjordânia por ataques a aldeias e casas.

As populações beduínas e pastorícias que vivem na Área C, que representa 60% da Cisjordânia, continuam sob total controle administrativo e de segurança de Israel. Segundo o grupo de direitos humanos B’Tselem, ao menos 44 localidades expulsas foram registradas desde o início da guerra em Gaza.

No fim de dezembro de 2025, a situação em Ras Ein el-Auja piorou quando colonos ergueram um posto avançado ilegal dentro da aldeia, araram terras com tratores e bloquearam uma estrada. O morador Salameh Qa’abna relatou que ataques anteriores passaram a alcançar áreas de moradia, gerando medo entre as famílias.

Cerca de 130 pessoas foram obrigadas a desmontar suas casas no início deste mês. Rashid e sua família juntaram-se aos que partiram, descrevendo o processo como humilhante e doloroso, sem saber para onde ir.

O padrão de violência se repete em outras localidades, como Muarrajat e Mughayyir al-Deir, onde colonos instalaram postos avançados, intensificaram ataques e expulsões rápidas das pessoas.

De acordo com Peace Now, existem 149 assentamentos na Cisjordânia, além de 224 postos avançados e fazendas não autorizados. Os assentimentos são considerados ilegais pelo direito internacional, o que Israel contesta. O governo atual promoveu a criação ou regularização de 19 novos assentamentos e anunciou o plano controverso conhecido como E1, para dividir a Cisjordânia em duas zonas. A maior parte dos parceiros internacionais, incluindo a Alemanha, vê o aumento de assentamentos como obstáculo à criação de um Estado palestino.

“Presença protetora” Em Ras Ein el-Auja, um jovem colono israelense guiava seu rebanho pela aldeia, seguido de ativistas internacionais e de grupos de proteção que acompanham as comunidades para evitar ataques. Mas, da base numa colina, pouco podiam fazer. Uma ativista disse que muitos moradores decidiram partir diante da insegurança persistente.

Parte das ações oficiais, segundo as FDI, envolve aumentar a presença de soldados na área para prevenir atritos e manter a ordem. Os militares afirmam que, quando há violações da lei por israelenses ou ataques a palestinos, intervêm e detêm suspeitos até a chegada da polícia.

Entre março de 2025, houve relatos de que colonos roubaram rebanhos de ovelhas e cabras durante a noite, ferindo alguns animais e levando-os a um posto avançado. Mesmo com evidências, as autoridades não teriam devolvido os animais, alimentando a sensação de impunidade entre os moradores.

A cobertura ressalta que moradores, animais e aves continuam sob pressão, com a presença de guardas voluntários mantendo-se próximos apenas para proteção pontual. Muitos descrevem o cotidiano como marcado pela incerteza, obrigando as famílias a planejar a vida com distância das casas e das áreas de cultivo.

Como isso ressoa com você? Deixe seu comentário sobre a situação na Cisjordânea, o papel das políticas de assentamento e as consequências para moradores de aldeias como Ras Ein el-Auja.

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