Paulista dirige 1º longa de animação brasileiro no Festival de Berlim

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Papaya é o primeiro longa-metragem de animação brasileiro a integrar a mostra competitiva Generation KPlus do Festival de Berlim, dirigido por Priscila Keller. O filme, com 74 minutos, não tem diálogos e marca a 76ª edição do festival, que ocorre de 12 a 22 de fevereiro.

A trama acompanha a história de uma semente de mamão que, ao sair do fruto, encontra a mamoeira e vivencia o imprinting materno, um momento de reconhecimento e amor. Ao explorar o ambiente, a semente descobre o universo ao seu redor e encara as dificuldades, percebendo que é diferente dos seres alados enquanto busca formas de voar.

“Espero que esse feito traga ainda mais visibilidade à animação brasileira, que conta com uma trajetória de produções originais maravilhosas, e que abra novas portas para os excelentes profissionais que temos no Brasil”, falou.

A diretora revelou que a gestação de seu filho foi a força motriz para a animação, inspirando temas de desenvolvimento humano e do acolhimento que transforma a vida. Contou que se tornou mãe aos 36 anos e que esse momento a fez repensar liberdade, autonomia e enraizamento.

Formato do longa

No início, Keller não tinha certeza se o filme seria em animação, mas decidiu pela 2D após já ter trabalhado em dois longas de animação e pela formação em design gráfico. “Gosto de desenhos de colagem e creio que é uma técnica com desdobramentos que permitem soluções mais mágicas do que o live action. Em Papaya, busquei uma linguagem simples para que a narrativa seja clara, independentemente de idioma”, explicou.

Uma das inspirações que Keller usou para criar Papaya foram os paper cutouts do Henri Matisse. “Dessa forma, para também poder trazer as sensações, principalmente nos momentos mágicos, a animação oferece muitos recursos dentro da técnica”, disse.

Festival de Berlim

Apesar de não imaginar, Keller desejava que a animação alcançasse o público mais amplo possível. A ideia foi manter a história clara, independentemente de idioma, traduções ou legendas.

“Até porque é uma história que traz elementos muito universais, conflitos existenciais humanos e outras questões, como a ambiental, que é uma preocupação coletiva geral. Minha intenção era que pudesse chegar às regiões mais longínquas do Brasil”, falou.

Além de Papaya, o longa-metragem Feito Pipa, estrelado por Lázaro Ramos, também será exibido no 76º Festival de Berlim.

E você, o que achou da proposta de Papaya? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa.

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