Obra da Vila Olímpica parada há 9 meses fica R$ 12 milhões mais cara

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A obra da pista de atletismo da Vila Olímpica Mário Covas, na zona oeste de São Paulo, está abandonada há nove meses e pode elevar ainda mais o montante gasto pelos cofres do estado.

Ela foi licitada em agosto de 2022 por R$ 40,3 milhões e prevê, além da pista, arquibancadas e vestiários. A empresa vencedora foi a Recoma, e o governo afirma que cerca de 80% da construção já estava concluída antes da paralisação.

Ao longo dos três anos seguintes, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a construtora pediu três aditamentos que ampliaram o preço e o prazo. Em janeiro de 2025, foi protocolado um quarto termo aditivo, que teve recusa da Secretaria Estadual de Esportes (Sesp) e resultou na rescisão do contrato com a Recoma.

A obra é acompanhada de bastidores com aditivos, prorrogações de prazo e valores adicionais. Em novembro de 2025, foi publicado um novo convênio de R$ 24,7 milhões para a execução do remanescente, com o contrato a ser definido apenas por meio de nova licitação, após decisão favorável do TCE-SP. Os R$ 11,7 milhões de adição referem-se ao custo adicional em relação ao que já havia sido pago.

Novo orçamento Segundo a Secretaria de Esporte, a pista precisará ser totalmente refeita, representando aproximadamente 30% do valor total da obra. O novo convênio também ajusta preços e recomposição de serviços comprometidos, com data-base diferente (fevereiro de 2022) em comparação com maio de 2025.

Se o quarto aditivo fosse aprovado e a Recoma concluísse o trabalho sem novos aditamentos, a pista seria entregue em julho de 2025 por cerca de R$ 50 milhões mais ágio de R$ 9,7 milhões.

Com o novo convênio, o custo total da obra subiria para R$ 61,7 milhões (R$ 37 milhões já pagos + R$ 24,7 milhões do convênio), com previsão de conclusão otimista para julho de 2027 e ágio acumulado de R$ 11,7 milhões.

Novo orçamento e sanções

A Secretaria afirmou que o contrato foi rescindido unilateralmente em fevereiro do ano passado por descumprimentos contratuais e falhas de entrega. A Recoma chegou a reverter a suspensão na Justiça e manteve a obra até abril de 2025, quando houve nova paralisação.

A empresa foi sancionada com multa de 10% do valor do contrato, suspensão temporária de participação em licitações por dois anos e declaração de inidoneidade para licitar com o poder público por tempo indeterminado enquanto perdurarem os motivos da punição. O processo sancionatório está suspenso por medida cautelar; em 26 de novembro de 2025, uma decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública contestou a competência da Secretaria de Esporte para aplicar a sanção.

A Recoma afirmou que a Justiça confirmou violação da competência exclusiva do governador, suppressão da instância recursal e cerceamento de defesa.


Cronologia da obra

Agosto/2022: Obra licitada por R$ 40,3 milhões com prazo de 18 meses (até janeiro de 2024).

Fevereiro/2024: Aditamento prorroga o prazo para agosto de 2024. Justificativa: necessidade de reforços estruturais após divergências na sondagem entre a empresa e o parecer técnico da CDHU.

Agosto/2024: Recoma solicitou novo aditivo, até outubro de 2024, por causa das chuvas intensas.

Outubro/2024: Aditamento até janeiro de 2025 para instalação de cubículos elétricos e cavalete de água. De acordo com a vencedora, ajustes foram exigência da Enel e da Sabesp.

Além dos prazos, o valor da obra já havia sido ampliado em R$ 7 milhões além dos R$ 40,3 milhões iniciais.

Janeiro/2025: Recoma pediu o quarto aditivo, com prorrogação até 31/7/2025 e aumento de R$ 2,7 milhões.

O último pedido gerou a rescisão do contrato e, em seguida, o governo lançou um novo edital de licitação que é contestado pelo TCE-SP.


Abandono da obra

O Metropoles visitou a obra em 19 de janeiro e encontrou a pista de atletismo tomada pela vegetação após nove meses de paralisação.

Materiais de construção ficaram expostos à chuva, com lâminas de vidro que custam, em média, R$ 700 por metro quadrado. A área interna, onde ficam os vestiários, abriga morcegos. A estrutura improvisada com refeitório e banheiros para trabalhadores ainda fica ao lado da pista, com um calendário de cronograma sem marcações a partir de abril de 2025.

Com a obra abandonada, mesas do refeitório, um tubo de álcool em gel quase cheio, botas, uniformes e capacetes ficaram para trás, cobertos pela poeira como cenário de um conto de Poe.

A obra permanece sem conclusão e o terreno ao redor já mostra sinais de abandono, com vegetação alta e estruturas improvisadas ao lado da pista.

Em resumo, o governo estadual analisa nova licitação para terminar o legado da pista de atletismo, com custos elevados, atraso e debates sobre a gestão contratual e sanções aplicadas à empresa responsável.

E você, o que acha da atual situação da pista da Vila Olímpica Mário Covas? Comente abaixo suas opiniões sobre se a obra deve ser reativada via nova licitação, ou se é melhor reavaliar o projeto desde o começo.

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