Um pastor evangélico foi detido por mais de 48 horas, multado e expulso da localidade no estado de Oaxaca após se recusar a se ajoelhar e rezar diante de uma imagem durante a Festa de São Tiago Apóstolo. O episódio ocorreu na localidade de Santiago Malacatepec, no município de San Juan Mazatlán Mixe.
Mariano Velásquez Martínez, que atua no ministério desde 2015, foi detido depois de se recusar a cumprir o protocolo religioso da celebração, alegando convicções cristãs. Antes da prisão, ele já havia sido pressionado pela assembleia local a aceitar o cargo de responsável pela celebração.
Segundo oEvangelico Digital, mesmo concordando em pagar uma multa — ainda que sem recursos suficientes —, a proposta foi rejeitada pela assembleia, que exigiu o cumprimento integral do ritual. Diante da recusa, o pastor foi preso no sábado, dia 17 de janeiro de 2026.
“Sua prisão ocorreu depois que ele se recusou a se ajoelhar e rezar diante da imagem religiosa, citando suas convicções cristãs”, afirmou o advogado Porfirio Flores Zúñiga à imprensa. Após quatro dias detido, Mariano foi levado à assembleia da localidade com as mãos amarradas e informado de que seria expulso da cidade, junto com a esposa e a filha de três meses, por não aceitar as tradições religiosas locais.
A defesa sustenta que houve coerção e irregularidades, resultando na saída forçada da família. O pastor relatou ainda que foi obrigado a assinar um documento em branco, que poderia ser usado para simular uma saída voluntária. “Trata-se, na realidade, de uma expulsão forçada, que agora é classificada como crime grave”, afirmou o advogado.
A defesa enquadrou o episódio como intolerância religiosa, especialmente diante do novo marco legal do estado de Oaxaca. Em setembro de 2025, o Congresso estadual aprovou a Lei para Prevenir, Abordar e Reparar Integralmente o Deslocamento Forçado Interno, prevendo penas de até 18 anos de prisão e multas quando houver participação de autoridades locais ou violação de direitos religiosos. Os defensores pediram à Procuradoria-Geral de Justiça de Oaxaca e à Secretaria de Governo que a lei seja aplicada contra as autoridades municipais envolvidas.
O caso faz parte de um histórico de conflitos na região. O advogado citou que, em 2022, seis famílias teriam sido expulsas da comunidade de San Pedro Chimaltepec por motivos religiosos. Em janeiro de 2026, onze cristãos evangélicos foram presos na localidade de Pinar Salinas, Zinacantán, nas Terras Altas de Chiapas, após se recusarem a participar de uma festa católica promovida pela localidade. A defesa pediu proteção e reparação para o pastor e sua família, apontando uma suposta perseguição religiosa sistêmica na região.
“A liberdade de culto não é uma concessão das autoridades locais, mas um direito humano inalienável que o Estado deve proteger”, destacou Flores. A reportagem da Folha Gospel, com informações de Evangélico Digital, acompanha o caso.
E você, o que pensa sobre os direitos de??? religiosos em disputas entre tradições locais e manifestações de fé diferentes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe o que acha que o Estado deveria fazer para proteger a diversidade religiosa com respeito a todas as crenças.

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