BNDES quer impulsionar MPMEs na corrida pela economia verde

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Com a transição climática avançando como prioridade global, pequenas empresas ainda enfrentam barreiras para acessar crédito e apoiar práticas sustentáveis. Nesse cenário, a plataforma Empreender Clima, lançada durante a COP 30, surge para inserir micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) na economia verde.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Empreendedorismo da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Sebrae e a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI). O objetivo é fortalecer o protagonismo dessas empresas na economia de baixo carbono.

O problema central é o acesso ao financiamento. Em muitos casos, setores que exigem comprovação de impacto ambiental e viabilidade técnica ficam de fora dos programas de crédito tradicionais.

“O Empreender Clima é mais uma iniciativa para estimular os pequenos e médios negócios”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “As micro, pequenas e médias empresas já respondem por uma parcela expressiva do crédito do Banco. Nada mais estratégico do que apoiar o fortalecimento da participação das empresas de menor porte na economia verde.”

Segundo o BNDES, o volume de recursos disponíveis tem crescido, com previsões de liberações superiores a R$ 12 bilhões até 2026, mas muitos projetos não avançam por falta de preparo adequado.

Nesse sentido, a participação do banco é vista como decisiva para aproximar pequenos negócios de programas como o Fundo Clima, que opera com recursos em grande escala e agora se abre mais a empreendimentos de menor porte.

“O BNDES tem sido um parceiro importante no acesso ao crédito para pequenos empreendedores e na economia verde. Com essa iniciativa, queremos ampliar essa atuação. O Empreender Clima facilita o crédito para pequenas empresas com atuação ambiental ou negócios tradicionais que queiram se adaptar a práticas sustentáveis.” — Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce do BNDES.

Outra visão importante reforçada pelo banco mostra que, hoje, mais de 40% dos desembolsos já são destinados a esse segmento, e mais de 95% das operações assinadas envolvem MPMEs.

Inovação e inclusão

Entre os destaques do Empreender Clima está uma ferramenta de pré-enquadramento de propostas, criada para orientar o empreendedor na formatação de projetos aptos a serem apresentados às instituições financeiras credenciadas. A ideia é facilitar e acelerar a análise, assegurando que os negócios apresentem propostas técnica e economicamente sólidas.

A plataforma chega em um momento em que o desafio não é apenas ampliar a oferta de crédito, mas garantir a qualidade técnica e econômica das propostas.

Maria Coelho aponta que as principais dificuldades enfrentadas por pequenos empreendedores ao buscar crédito climático são:

  • dificuldade de demonstrar a viabilidade econômica de iniciativas
  • dificuldade de embasamento técnico que comprove o impacto ambiental positivo
  • orientação inadequada de instituições financeiras tradicionais para créditos a empreendimentos menores
  • alto custo operacional de avaliação e monitoramento do impacto ambiental

Segundo ela, a plataforma chega para enfrentar esses pontos ao oferecer informações e orientações técnicas que reduzem dúvidas, aceleram análises e aumentam as chances de aprovação.

Lançada em 17 de novembro, a plataforma já está no ar, inicialmente para projetos de coleta seletiva e tratamento e destinação de resíduos sólidos. Outros segmentos de empreendedorismo climático serão adicionados de forma progressiva, seguindo critérios técnicos de elegibilidade ao Fundo Clima e o trabalho conjunto entre o BNDES e parceiros.

Condições flexíveis

Além disso, a iniciativa prevê condições facilitadas para financiamentos do Fundo Clima, dependendo do tipo de projeto.

Empreendimentos de transporte coletivo e mobilidade verde podem ter até 25 anos de prazo, com carência de até 5 anos. Projetos de florestas nativas e recursos hídricos chegam ao mesmo prazo, com até 8 anos de carência. No setor de transição energética e indústria verde, os prazos podem chegar a 24 anos, com até 6 anos de carência. Outras ações de transição energética variam até 16 anos, com até 6 anos de carência. Já projetos de desenvolvimento urbano resiliente e sustentável contam com até 16 anos de prazo e 5 anos de carência. Essas condições ampliadas visam estimular investimentos em soluções sustentáveis e aumentar a competitividade do país.

Metas para o primeiro ano

O objetivo inicial é consolidar o Empreender Clima como referência entre as empresas do setor e alcançar atuação em todos os estados, fortalecendo a plataforma como um ponto de encontro entre capacitação, negócios e crédito.

Nos anos seguintes, a ideia é ampliar o número de instituições financeiras participantes e induzir um maior volume de financiamento climático por meio da ferramenta.

A plataforma representa um passo importante para ampliar o crédito verde entre pequenos negócios e para tornar a economia local mais sustentável. E você, já pensou em como sua cidade pode se beneficiar com esse movimento?

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