Opinião: Candidatura do PSD à presidência gera trunfo para Coronel seguir como nome para reeleição

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A chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD provocou uma surpresa na cena nacional. O movimento embolou o tabuleiro das candidaturas à presidência da República e, indiretamente, fortaleceu a posição de Angelo Coronel na/para manter a estratégia de reeleição. Mesmo com Otto Alencar, presidente estadual do PSD na Bahia, dizendo que não há espaço para palanque nacional no estado, as negociações entre Kassab e a base baiana devem seguir tensas e abertas a ajustes.

Para o PT, o projeto de eleger o governador da Bahia continua prioritário, não apenas localmente, mas como estratégia para ampliar a margem de votos de Lula no estado. A ideia de manter a chapa puro sangue pode sofrer com o racha interno caso o PSD ou a posição ligada a Coronel virem alvo de disputa. Nesse contexto, o nome de Coronel volta a circular com chances de entrar na chapa governista.

O desafio é encontrar espaço para Coronel disputar a reeleição. Jaques Wagner já se colocou candidato ao Senado; Rui Costa anunciou a saída da Casa Civil para concorrer ao Senado; Jerônimo Rodrigues tende a permanecer como candidato ao governo. Com tantos fidalgos na disputa, é raro alguém ceder, o que torna a chapa mais frágil mesmo sem a musculatura política atribuída a Coronel.

Caso não haja espaço para Coronel na chapa governista, ele terá duas opções: uma candidatura avulsa, garantindo palanque independente para o presidenciável do PSD, ou migrar para a oposição, mesmo que o PSD esteja coligado com o PT na Bahia. É um jogo de leitura difícil, pois uma mudança assim pode penalizar o PT numa eleição decidida por menos de 5 pontos.

A oposição baiana viu no nome do PSD uma possível saída. ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, passa a ter espaço para sair do muro sem abandonar o antipetismo. Os três presidenciáveis do PSD — Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite — podem adotar uma linha moderada para transitar entre antipetismo e bolsonarismo, abrindo espaço para uma terceira via. Neto fica mais livre para apoiar nomes que não Lula nem o bolsonarismo, como o senador Flávio Bolsonaro.

Para Coronel, o ganho está em forçar o PT a aceitá-lo na chapa governista ou em tornar a reeleição dele independente ou de oposição, um movimento que Kassab quase obriga que esteja nas urnas. A escolha de qual caminho seguir não cabe apenas a ele; depende do PT da Bahia aceitar o aliado ou enfrentá-lo como adversário.

O cenário permanece aberto e cheio de nuances para as eleições na Bahia e no Brasil. A leitura aponta que as alianças entre PSD, PT e demais siglas vão definir quem terá palanque em nível nacional e quem fica sem. Deixe aqui sua leitura sobre esse jogo de forças na Bahia e no país e participe com seus comentários.

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