Saúde, educação e desemprego são os principais problemas apontados por cidadãos de países de língua portuguesa, segundo o Barômetro da Lusofonia, estudo de mapeamento intercontinental liderado pelo Ipespe que analisa Cultura, Sociedade e Instituições da região lusófona.
O objetivo do estudo é fortalecer a integração entre os países de língua portuguesa, aprofundando a compreensão de percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacando o papel estratégico do português, que reúne cerca de 300 milhões de falantes.
Foram realizadas 5.688 entrevistas em uma pesquisa simultânea em África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), América do Sul (Brasil), Ásia (Timor-Leste) e Europa (Portugal).
Segundo o diretor-geral do Barômetro e presidente do Conselho Científico do Ipespe, Antonio Lavareda, as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições de inserção econômica. Violência e saneamento básico também aparecem como temas relevantes, com questões como inflação, água, energia e saneamento em segundo patamar.
No Brasil, saúde (45%), violência (40%) e educação (35%) são os principais problemas apontados pela população. A elevada preocupação com violência pode estar ligada ao momento da pesquisa, com a megaoperação policial no Rio de Janeiro envolvendo facções criminosas em outubro de 2025, o que provavelmente elevou o tema de segurança.
A maioria dos países pesquisados não está satisfeita com o funcionamento da democracia: 57% relatam insatisfação. Timor-Leste e Portugal são as exceções, com maior satisfação, 75% e 61%, respectivamente.
Em média, 63% dos ouvidos afirmam que votam sempre e 13% votam na maioria das vezes; 11% votam raramente e 9% nunca votam. O Brasil, único país da região com voto obrigatório, apresenta o maior índice de participação declarada: 88% dizem votar sempre, 5% votam na maioria das vezes.
No que diz respeito a fake news, 64% afirmam já ter recebido notícias falsas. Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram esse ranking; Angola (71%), Moçambique (71%) e Guiné-Bissau (67%) aparecem no grupo de maior compartilhamento. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (49%) e Timor-Leste (40%) registram os números mais baixos. O estudo alerta que esse resultado pode refletir maior dificuldade de identificação das fake news, não necessariamente menor incidência.
Em síntese, o Barômetro da Lusofonia mostra que, embora haja desafios comuns, cada país da região lusófona tem prioridades distintas em saúde, segurança, democracia e participação eleitoral.
E você, como percebe esses temas na sua cidade ou região? Compartilhe sua opinião e experiências nos comentários abaixo.

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