“Vou morrer, Deus”: mulher confundida com ladra foi baleada já no chão. Veja vídeo

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A noite de 4 de janeiro de 2026 mudou drasticamente a vida de Cléia Maria da Silva, 44 anos, e Thiago Soares, 40, em Samambaia (DF). Eles foram confundidos com assaltantes na tentativa de roubo a uma padaria e baleados por militares à paisana. A história, revelada pelo Metrópoles na última semana, mostra o choque, o trauma e o questionamento sobre o motivo de terem sido atingidos sem oferecer resistência.

Cronologia dos fatos (resumo)

  • 4 de janeiro, por volta das 22h: Paulo Henrique Pereira de Almeida, 28 anos, e um comparsa tentam assaltar a panificadora Fornalha Premium, na QS 118, Samambaia (DF). Chegam de moto ao local.
  • Uma funcionária sai da loja para pedir ajuda em um supermercado próximo. Dois militares, Zedequias Augusto Nunes, 56, e Haroldo Noleto, 52, vão à padaria para impedir o crime.
  • Ao avistar o comparsa na porta, os tiros são disparados. O suspeito foge, deixando o segundo criminoso dentro da padaria.
  • Às 22h10, Cléia e Thiago passam a fazer parte da história ao cruzarem o caminho do tiroteio na hora errada.
  • O casal, que havia se encontrado em Ceilândia horas antes, pretendia apenas um encontro; Thiago para, para pedir informações, quando o assaltante corre para a moto dele. Haroldo atira.
  • Três assaltantes são baleados ou presos, segundo as autoridades à época, sem que Cléia e Thiago pudessem dar suas versões.
  • Três dias depois, a Polícia Civil do DF reconhece que Cléia e Thiago não eram suspeitos e solicita a revogação da prisão preventiva.
  • A Justiça do DF revoga a prisão no dia seguinte, com eles já tendo passado quatro dias em prisões locais.

Cléia foi confundida com assaltante e baleada por militares

Cléia, que trabalhava como vendedora autônoma, descreve o momento como um pesadelo. Ela foi baleada no glúteo e nas costas, com o último disparo atravessando o corpo e saindo pela axila. A cirurgia foi invasiva e, segundo relatos, uma bala permanece alojada em seu intestino. Hoje, além das sequelas físicas, a vítima enfrenta trauma constante e dificuldade de retomar a vida cotidiana.

Impactos na vida do casal

Cléia é mãe de três filhos, com idades de 18, 13 e 9 anos. O episódio levou-a a experimentar ripas: leito de morte, tratamento médico intenso, prisão em uma unidade feminina da capital e, posteriormente, reações que atingiram toda a família. Thiago, ainda em recuperação dos ferimentos no braço direito, informou aos advogados que prefere não conceder entrevistas por ora.

O casal descreve a experiência como uma sucessão de impactos que vão muito além dos ferimentos: o medo diário, o trauma do que vivenciaram, a pressa de voltar à vida e a dificuldade de compreender por que foram confundidos com criminosos por várias autoridades. Cléia afirma que sua vida mudou totalmente e que precisa viver com esse peso no dia a dia.

Condução da Justiça e desfecho

A defesa de Cléia e Thiago envolve a busca por responsabilização dos militares que atiraram. Os advogados apontam indícios de crimes e aguardam novas medidas das autoridades, com a expectativa de reabertura de eventual processo. Enquanto isso, o Metrópoles acompanha o caso e busca ouvir as defesas dos militares envolvidos, sem sucesso até o momento.

O contexto mostra uma falha institucional que gerou danos irreparáveis para a vítima, com a polícia reconhecendo o erro e as autoridades trabalhando para corrigir o desvio, ainda que a reparação emocional e física seja gradual e complexa.

Atualidade e desdobramentos

Além do trauma físico, Cléia enfrenta dificuldades de locomoção após a cirurgia e relata medo de sair às ruas. A história revela a dor de uma família que viu a mãe ser acusada injustamente, como se fosse responsável por crimes que não cometeu. O caso reforça a importância de apurações criteriosas e de uma resposta cuidadosa para quem foi vítima de erro policial.

A reportagem também mantém aberto o espaço para manifestações das defesas dos envolvidos, já que as informações oficiais sobre a cronologia e as circunstâncias continuam sob avaliação de autoridades competentes.

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Este texto traz um retrato de momentos decisivos que revelam consequências humanas de ações policiais e de justiça, com foco nas pessoas e no impacto em suas vidas.

Considerações finais

A história de Cléia e Thiago permanece em andamento. O que era para ser uma simples noite de encontro se transformou em uma sequência de eventos que expôs falhas, traumas e uma batalha por reconhecimento e responsabilização. O acompanhamento do caso segue com as ações da defesa e a apuração das circunstâncias que levaram ao incidente.

Galeria de imagens

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