Por que injeção semestral contra HIV será testada em SP e Campinas

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As cidades de São Paulo e Campinas estão entre sete locais escolhidos para testar uma nova forma de prevenção contra o HIV que exige apenas uma aplicação semestral. O objetivo é avaliar a viabilidade dessa abordagem para possível incorporação ao SUS. A coordenadora clínica do projeto pelo INI/Fiocruz, Brenda Hoagland, informou que o estudo deve começar nas próximas semanas e tem duração prevista de dois anos.

Campinas já participou de estudos anteriores com PrEP oral e com cabotegravir de longa duração, visando alcançar a população-alvo. A cidade de São Paulo também integrou pesquisas anteriores de implementação oral; na fase atual, será avaliada a viabilidade de ofertar PrEP injetável com lenacapavir na unidade móvel da cidade, o ônibus da gestão municipal.

O lenacapavir é apresentado como uma nova opção de prevenção, com a indicação aprovada pela Anvisa em 12 de janeiro para uso como profilaxia pré-exposição em pessoas sem HIV, mas em risco.

“O lenacapavir é um novo medicamento, aplicado de forma subcutânea a cada seis meses e que oferece altíssima eficácia como profilaxia pré-exposição para a prevenção da transmissão do HIV”, observou Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do ImPrEP LEN Brasil.

O ImPrEP LEN Brasil está na fase final de preparação para incluir participantes de grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens cisgênero, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas trans, entre 16 e 30 anos. O projeto recebe apoio de Unitaid, INI/Fiocruz e do Ministério da Saúde, com a doação da substância pela empresa norte?americana Gilead Sciences.

Antes de uma eventual oferta pelo SUS, o lenacapavir precisa passar pela definição de preço máximo pela CMED e pela avaliação da Conitec, que analisará as evidências científicas para emitir um parecer ao Ministério da Saúde.

A profilaxia já existente, a PrEP, é a estratégia mais promissora na luta contra o HIV e pode ser usada diariamente ou sob demanda, disponível pelo SUS para pessoas com mais de 15 anos e mais de 35 quilos, independentemente de gênero ou orientação sexual.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, a PrEP pode ser prescrita diariamente ou retirada em unidades que funcionam 24 horas, como UPAs, além de máquinas automáticas em estações de metrô. Desde 2018, a PrEP já conta com mais de 55 mil pessoas cadastradas, disponíveis na Rede Municipal Especializada em IST/Aids e no canal SPrEP, dentro do app e-saúdeSP. A PrEP pós?exposição (PEP) envolve o uso de antirretrovirais até 72 horas após exposição sexual desprotegida.

Quanto à extinção da Aids, o meio científico internacional continua buscando avanços. Embora haja estudos promissores, não há estimativa certa para a chegada de uma vacina. “O mundo científico tem o entendimento de que o grande avanço seria uma vacina que pudesse ser disseminada para todo mundo e aproximar-se da cura ou da erradicação do vírus”, afirmou Carla Kobayashi. Já Rico Vasconcelos ressaltou que o HIV é um vírus que desafia a ciência, exigindo manter a carga viral indetectável e promover mudanças sociais para reduzir o preconceito.

Enquanto isso, a recomendação é manter o tratamento antirretroviral para manter a carga viral indetectável e promover transformações sociais que reduzam o estigma. Compartilhe nos comentários suas opiniões sobre novas estratégias de prevenção no SUS e se você apoia a chegada de uma opção semestral.

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