Cobra como pet? Veterinária explica o que é necessário e os riscos

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Quando pensamos em pets, cães e gatos vêm à mente. Cobras domesticadas têm ganhado espaço, mas exigem cuidado específico e base legal. No Brasil, a posse está regulamentada: apenas espécies não peçonhentas podem ser criadas, adquiridas de criadouros autorizados por órgãos ambientais, com Nota Fiscal e microchip de identificação.

Cobra da espéce jiboia-constrictor em cima de um tronco
Apesar de grande, a jiboia não é uma espécie venenosa

Entre as espécies permitidas, destacam-se Jiboia-comum (Boa constrictor), Jiboia-arco-íris (Epicrates cenchria), Piton-bola (Python regius) e Jiboia-da-areia (Gongylophis colubrinus). Todas são constritoras e não apresentam veneno nem dentes inoculadores, o que aumenta a segurança na convivência com o tutor.

A veterinária Brenda Garcia, especialista em animais exóticos, reforça a necessidade de regularidade legal para aquisição e posse, com Nota Fiscal e microchip de identificação.

Espécies autorizadas no país — Mesmo sendo possível criar cobras, a permissão não alcança todas as espécies. As citadas acima são não peçonhentas e com manejo adequado, características valorizadas por quem busca um pet legalizado.

Cobra de cor alaranjada dentro de terrário composto por galhos e folhas
O terrário deve ter estrutura adequada

A boa convivência depende do manejo ambiental. O terrário deve ser proporcional ao porte e comportamento da serpente, oferecendo uma zona quente com placa aquecedora ou lâmpada de cerâmica controlada por termostato e uma zona fria para termorregulação. Assim, o animal consegue manter a temperatura corporal adequada.

A umidade também importa: monitorada com um higrômetro, pois a troca de pele depende dela. Se a umidade não estiver correta, a troca pode ficar inadequada, favorecendo complicações circulatórias.

“Além do calor, a radiação UVB é essencial para síntese da vitamina D3 e saúde metabólica. O fotoperíodo (dia e noite) deve ser rigoroso para evitar estresse endócrino”, pontua.

Cobra de cor avermelhada sendo segurada nas mãos por uma pessoa
A troca de pele é um processo importante para as serpentes

Enriquecimento ambiental também vale para répteis: tutores devem oferecer esconderijos em ambas as zonas de temperatura e elementos que estimulem o comportamento natural, como galhos, folhas e substratos. Um recipiente com água sempre deve estar à disposição.

Como alimentá-las?

As serpentes são carnívoras com metabolismo especializado. Em cativeiro, a dieta baseia-se em roedores provenientes de biotérios, respeitando o tamanho proporcional ao diâmetro corporal. A frequência varia conforme idade, espécie e metabolismo.

Brenda recomenda a regra do alimento abatido: as presas devem ser abatidas e descongeladas para prevenir mordidas acidentais, reduzir o risco de infecção e manter a biossegurança alimentar.

Cobra prestes a dar bote em rato
Na natureza, elas se alimentam de roedores, pequenos mamíferos, aves, ovos, anfíbios, lagartos e até outras cobras

Entre os erros comuns, destacam-se: manipular o animal logo após a alimentação, alimentar em temperaturas baixas, o que atrasa a digestão, e supervisionar a saúde para evitar sobrepeso e alterações metabólicas.

Riscos e quando a criação não é recomendada

Ter um animal envolve riscos para tutor e pet. As principais patologias em cobras são metabólicas, de pele, estomatites, parasitas e doenças respiratórias.

“Na saúde das pessoas, o risco maior é a Salmonelose. Répteis podem ser portadores da Salmonella. A prevenção é simples: higiene rigorosa após o manejo do animal, ou do terrário, e jamais lavar os acessórios na pia da cozinha.”

Jovem pesquisadora segurando placa de cultura de bactérias
O principal risco para os humanos é a Salmonella

Não são todos os perfis que devem ter uma cobra. O fator crítico é ter disponibilidade financeira para manter a infraestrutura e os cuidados, além de considerar que répteis podem viver mais de 25 anos. Planejamento a longo prazo é essencial.

A profissional ainda ressalta a importância de assistência médica especializada. Répteis possuem fisiologia única e, por serem predadores na natureza, tendem a mascarar sinais de dor ou doença até o quadro ficar grave. Sem suporte, o tutor fica sem acompanhamento adequado.

serpentes e seres humanos
Ter uma serpente como animal de estimação exige despesas financeiras e planejamento

“Vale ressaltar que, devido ao risco de zoonoses, casas com pessoas em tratamento quimioterápico ou bebês exigem um protocolo de biossegurança extremamente rígido, o que, muitas vezes, desestimula a posse.”

> De modo geral, o alerta da veterinária é claro: a criação só é recomendada quando há infraestrutura ideal, suporte profissional especializado e compreensão de que se trata de uma vida com demandas biológicas altamente específicas.

Se você já convive com répteis ou tem dúvidas sobre esse tipo de pet, compartilhe nos comentários o que acha mais desafiador ou interessante nessa prática. Sua opinião pode ajudar quem está pensando em entrar nesse universo com responsabilidade.

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