Do povo e para o povo: Ativistas comunitários destacam caráter social e ancestral da Lavagem de Itapuã

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A Lavagem de Itapuã, na cidade de Salvador, é uma celebração promovida pelos moradores da localidade de Itapuã, conectando o bairro boêmio ao litoral norte. A festa chega aos 121 anos em 2026, mantendo viva a memória local e ancestral. Nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, ativistas destacaram o caráter social e histórico do evento durante a comemoração.

Um dos organizadores é Raimundo Bujão, nativo de Itapuã e líder fundador do Movimento Negro Unificado (MNU) na Bahia. Ao Bahia Notícias, ele ressaltou que a festa tem história e tradição e funciona como um espaço de resistência. “A festa de Itapuã… é um espaço de resistência. A festa surge exatamente a partir da impossibilidade do lazer, da veneração aos nossos ancestrais escravizados”, afirmou.

Apesar da longevidade e da representatividade, o reconhecimento público ainda não chegou. A celebração completa 121 anos, mas, segundo Bujão, a estrutura por parte do poder público ainda é insuficiente. Mais de 30 blocos desfilaram pela Avenida Octávio Mangabeira, entre Piata e Itapuã, com a maior parte deles organizada e financiada por nativos da localidade.

Rose Santiago, uma das líderes da Associação de Moradores de Itapuã, enfatiza a importância de manter as tradições populares e critica a mercantilização da cultura. “Cultura, eu acho que cultura é inegociável. E hoje vejo a cultura virando comércio. Quem faz cultura não vive da cultura; quem está ganhando dinheiro é justamente essa galera que se apropria”.

Ela aponta ainda a necessidade de diferenciar a baiana tradicional daquilo que se chama de baiana de evento, para não descaracterizar a identidade da localidade. “A gente tem que separar o que é uma baiana tradicional do que é a baiana de evento”, afirmou, ressaltando o cuidado com a imagem que a cidade projeta aos turistas.

Para evitar desgaste gerado pela influência do turismo, Rose defende manter a participação espontânea e a expressão popular, mesmo diante do dinheiro que circula. “A gente tem que prestar atenção no que estamos fabricando, porque a participação espontânea é o que sustenta a cultura”, completa. Encerrando a fala, ela reforça a resistência histórica: “porque eles querem isso, eles querem acabar; o povo unido jamais será vencido”.

A Lavagem de Itapuã permanece como um eixo de lazer, renda e cidadania cultural para os moradores da localidade, ao mesmo tempo em que sustenta o debate sobre equilíbrio entre tradição e turismo. E você, qual é a sua leitura sobre esse equilíbrio entre cultura tradicional e dinamismo da economia local? Compartilhe nos comentários sua opinião sobre a festa e seu papel na cidade de Salvador.

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