Guia técnico das provas de halfpipe e big air no snowboard

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O snowboard freestyle reúne habilidade física extrema e expressão artística, com Halfpipe e Big Air no centro das disputas olímpicas e dos X Games. Este guia resume, de forma objetiva, a evolução do esporte, as regras básicas, os critérios de avaliação e os maiores protagonistas que moldaram a disciplina.

Origem e evolução histórica

A história do snowboard de competição nasce da cultura do skate e do surfe, adaptada para a neve. A evolução das estruturas foi para além de valas naturais, migrando para construções de engenharia de precisão.

  • Halfpipe: inspirado nas piscinas vazias usadas por skatistas na década de 1970, surgiu como estrutura de competição que evoluiu para o formato “Superpipe”, com paredes próximas a 6,7 metros de altura, permitindo voos altos.
  • Big Air: apesar de existirem saltos grandes há tempos, a modalidade codificada estreou nos Jogos Olímpicos em PyeongChang 2018, ganhando espaço com rampas gigantescas e envios em ambientes urbanos, além das pistas tradicionais.

Regras e funcionamento das competições

As duas modalidades compartilham fundamentos técnicos de manobras, mas apresentam formatos diferentes de disputa. O Halfpipe foca em uma sequência de manobras com ritmo estável, enquanto o Big Air privilegia a execução de uma ou mais manobras complexas em uma única rampa.

Halfpipe

No Halfpipe, o atleta desce por uma pista em forma de semicírculo, alternando entre as paredes. Em geral, as finais costumam ter três descidas, com a melhor nota valendo. A dinâmica depende do flow, da amplitude e do controle sobre quedas ou toque de mão.

Big Air

O Big Air concentra-se em uma só rampa de lançamento. O atleta aumenta a velocidade, executa maniobras complexas no ar e aterra com precisão na recepção inclinada. Em Olimpíadas, o formato típico soma as duas melhores notas de três saltos para o total final, com obrigatoriedade de variar a direção dos giros entre os saltos contabilizados.

Critérios de julgamento e sistema de notas

A avaliação é técnica e subjetiva, regida por critérios da FIS. A pontuação costuma variar de 0 a 100, com cinco pilares centrais que orientam as notas dos atletas.

Os juízes organizam o julgamento com base no acrônimo D-E-A-V-P:

  1. Dificuldade (Difficulty): complexidade das rotações, eixo da manobra (horizontal, vertical ou cork/híbrido), e pegadas na prancha.
  2. Execução (Execution): limpeza da manobra, aterrissagens estáveis e controle do grabbed durante o tempo de onda.
  3. Amplitude: altura e alcance da manobra; no Halfpipe, é crucial para a nota, e no Big Air, a distância e altura contam para o somatório.
  4. Variedade (Variety): diversidade de direções de giro e domínio dos quatro sentidos (Frontside, Backside, Cab/Switch Frontside, Switch Backside).
  5. Progressão (Progression): introdução de manobras novas ou variações inéditas, valorizando inovação.

Títulos e recordes

A evolução do esporte é marcada por uma “corrida armamentista” de rotações e eixos invertidos. Entre os destaques, surgem figuras que redefiniram o nível técnico e o domínio técnico das modalidades.

  • Shaun White (EUA): tricampeão olímpico no Halfpipe (2006, 2010, 2018) e referência no Double McTwist 1260, com expressiva coleção de ouro nos X Games.
  • Chloe Kim (EUA): bicampeã olímpica no Halfpipe (2018, 2022) e pioneira ao realizar duas 1080 consecutivas em Olimpíadas.
  • Ayumu Hirano (Japão): ouro em Pequim 2022 ao executar o primeiro Triple Cork 1440 na história olímpica no Halfpipe.
  • Anna Gasser (Áustria): bicampeã no Big Air (2018, 2022) e pioneira ao aterrissar Cab Triple Cork 1260.
  • Su Yiming (China): ouro no Big Air em 2022 com rotações de até 1800 graus na competição.

Curiosidades técnicas

  • Matemática das rotações: as manobras são nomeadas pela quantidade de giros (p. ex., 720, 1080, 1440, 1800).
  • Grab obrigatório: tocar a prancha no ar não é apenas estilo, é parte da elegância e estabilidade; sem grab, a nota tende a ser baixa.
  • Switch Stance: andar/aterrar com o pé “errado” na frente demonstra maior dificuldade e valor de nota.

O snowboard freestyle, com Halfpipe e Big Air, representa a fusão entre resistência atlética e expressão artística. A constante atualização dos critérios de julgamento busca equilibrar a aposta em rotações cada vez mais desafiadoras com o refinamento da execução, mantendo o esporte visualmente claro e tecnicamente exigente.

Como tudo isso repercute na prática: atletas treinam para manter o flow, dominar diferentes direções de giro, e inovar sem perder a qualidade das aterrissagens. O resultado é uma disciplina em evolução contínua, que valoriza técnica, estilo e ousadia.

Que aspectos do snowboard freestyle mais chamam sua atenção: a precisão das aterrissagens, a coragem de tentar novas manobras, ou a combinação de técnica e arte que define cada apresentação? Compartilhe nos comentários sua visão sobre o que faz uma performance ser memorável.

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