Cristãos assírios “não têm chance de sobreviver”, afirma ativista

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Cristãos no Oriente Médio sob risco de extinção – Um ativista da liberdade religiosa alertou que a comunidade cristã assíria pode não ter condições de sobreviver no Oriente Médio. O alerta foi feito durante a sexta edição da Cúpula Internacional sobre Liberdade Religiosa, no painel “Vozes de regiões com comunidades religiosas subnotificadas em meio a conflitos”, que tratou da gravidade da situação e pediu apoio dos Estados Unidos, de países ocidentais e de organizações internacionais.

Karmella Borashan, do Conselho Internacional Assírio, descreveu a situação como uma perseguição sistemática e sutil, tanto por jihadistas quanto pelas forças curdas, com impactos diferentes em cada contexto. Na Síria, a falta de segurança e o colapso econômico atingem especialmente as comunidades cristãs assírias, deixando aldeias prósperas praticamente desertas. No Iraque, ataques violentos e a vandalização de sítios arqueológicos de mais de 3.000 anos são problemas constantes.

Borashan ressaltou ainda leis contra minorias que chegam a converter crianças ao islamismo à força. Ela afirmou que o cristianismo está “desaparecendo” do Oriente Médio e que os assírios “não têm chance de sobreviver”, com a população passando de 1,5 milhão para menos de 300 mil ao longo das últimas décadas. Segundo ela, o Ocidente falhou ao longo do tempo em proteger essa comunidade.

Kamal Fahmi, do grupo de defesa Set My People Free, descreveu os desafios no Sudão, país em guerra civil desde 2003. Sudão ocupa o quarto lugar no ranking de pior perseguição a cristãos na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, com muitos convertidos do islamismo enfrentando rejeição familiar, ameaças e violência. Mesmo com deslocados internos e dificuldades de realocação pela ONU, a situação permanece crítica.

Fahmi destacou que o conflito gerou dezenas de milhões de deslocados no país, lembrando que 14 milhões foram deslocados, sendo 10 milhões dentro do Sudão e 4 milhões fora dele. Ele criticou a falta de recursos da assistência internacional, que agrava a fome e o sofrimento de moradores, além da dificuldade para realocar pessoas em situação vulnerável.

Iémen: Keyvan Ghaderi, da fé Bahá’í, relatou aceitação de crenças diferentes, prisões e abusos por motivos religiosos. A Portas Abertas classifica o Iêmen como o terceiro pior país em termos de perseguição a cristãos, com a fé não islâmica enfrentando restrições de registro formal e locais de culto não autorizados. A apostasia é tratada como crime grave, com riscos reais para fiéis e famílias inteiras, aumentando a vulnerabilidade em um país dilacerado por conflitos.

A organização Portas Abertas aponta que, em meio a conflitos, extremismo e colapso econômico, as minorias religiosas continuam sob ameaça. O painel reforçou a necessidade de pluralismo e de ações internacionais efetivas para proteger direitos fundamentais, promover a liberdade religiosa e apoiar comunidades que enfrentam perseguição em várias regiões.

Este tema evidencia a urgência de respostas coordenadas para proteger a dignidade humana, reduzir o sofrimento e abrir caminhos para a convivência pacífica entre todas as comunidades. Queremos ouvir sua opinião: você acredita que a comunidade internacional está fazendo o suficiente para apoiar a liberdade religiosa nesses contextos? Deixe seu comentário e compartilhe suas ideias sobre como incentivar mudanças reais.

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