Esquema bilionário entre chineses e PCC envolve fraudes fiscais e comércio online, aponta investigação
A Polícia Civil de São Paulo, em parceria com a Secretaria da Fazenda (Sefaz), desvendou um esquema bilionário envolvendo imigrantes chineses e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A fraude utiliza plataformas de vendas online para comercializar eletrônicos, com notas fiscais frias para driblar impostos e lavar recursos, num esquema que reuniu 14 CNPJs e 18 pessoas físicas.
Ao todo, as autoridades estimam que o grupo movimentou mais de 1 bilhão e 72 milhões de reais em cerca de sete meses de monitoramento, com operações estruturadas para distribuir mercadorias em todo o Brasil. A investigação aponta que a origem dos produtos é lícita, mas a prática criminosa reside na emissão de notas fiscais falsas com valores abaixo do real;
O caso ganhou contornos após uma denúncia de estelionato recebida pela DIG/DEIC no mês passado. O consumidor relatou ter adquirido na plataforma chinesa Knup cem carregadores de celular via USB para moto, pagando por meio de Pix à empresa Vanucchi Comercialização de Produtos Importados e Nacional. Segundo a vítima, a nota foi de apenas R$ 219,04 e a entrega veio incompleta, com quatro carregadores ausentes, no galpão do Brás.
Em 1º de setembro, o mesmo consumidor voltou a comprar, desta vez 40 balanças digitais por R$ 560, também direcionado à Vanucchi para pagamento com nota fiscal de apenas R$ 324,66 — 58% do valor real. A mercadoria foi emitida por Hao Brasil Comércio de Eletrônicos, não pela Knup, e novamente o pedido foi retirado no galpão no Brás, com o volume entregue incompleto.




A operação de busca cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e três prisões em SP e Santa Catarina. Entre os presos está Sebastião Roberto da Silva, conhecido como Joe, sócio da Vanucchi e considerado laranja do PCC, além de Daniela Aparecida Valdi, apontada como coordenadora da rede, e o empresário chinês Yifeng Jang, dono da Hao, líder do esquema que, segundo apurado, voltou recentemente à China para evitar a detenção.
Segundo o organograma da investigação, Joe recebia cerca de 20 mil reais pela abertura de cada CNPJ em seu nome, além de entre 2 e 3 mil reais mensais para manter as empresas ativas. Daniela, que investigam como a principal articuladora, negociava as vendas, emitia notas fiscais e orientava a retirada das mercadorias nos galpões.
A polícia ainda não confirmou o tempo de atuação do grupo no Brasil, mas indicou que a Hao opera no país há duas décadas. Mesmo com quatro imóveis de luxo e as empresas envolvidas avaliada em cerca de 1,3 milhão de reais em nome de suspeitos, Joe foi detido em uma favela de Perus, na zona norte de São Paulo, reforçando a suspeita de que ele era o laranja da organização.
A polícia ainda não consolidou se o PCC utiliza a estrutura criada com o grupo chinês para lavagem de dinheiro ou se a facção apenas movimenta as quantias por meio de laranjas, com os imigrantes exercendo funções na engrenagem. O Metrópoles informou que não houve contato com a defesa dos citados até o momento.
A apuração segue em andamento para esclarecer o papel exato do PCC na operação, bem como a extensão da rede e o tempo de atuação. A reportagem continua acompanhando o caso e procurará ouvir as defesas dos envolvidos assim que forem localizadas.
E você, o que pensa sobre esse caso que envolve comércio eletrônico, fraudes fiscais e crime organizado? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre os impactos dessa prática para o consumidor e a economia.

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