Resumo: uma associação ligada ao Frei Gilson, cantor e sacerdote católico conhecido nas redes, consta na lista de credores da Fictor, empresa em recuperação judicial com dívidas que somam mais de R$ 4,2 bilhões.
A Fictor está em recuperação judicial e a lista de credores apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) inclui ao menos seis entidades religiosas, além de pessoas físicas e jurídicas.
A Associação Beneficente Freis Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo investiu R$ 630 mil em SCPs da Fictor, por meio do CNPJ de uma loja da instituição. Procurada, a entidade não quis falar com a reportagem. A organização tem erguido um grande convento no estado e afirmou, em publicação no Instagram, que o dinheiro das vendas da loja financiava o empreendimento, com base em orações, doações e compras na Loja Mensageiros.
Fundada em novembro de 2003 no Brooklin, em São Paulo, a instituição afirma atuação em 13 paróquias no país e mais de 600 mil seguidores no Instagram. A imagem do Frei Gilson, que tem cerca de 11,5 milhões de seguidores, é com frequência utilizada pela entidade nas vendas de produtos.
A foto do religioso é apresentada em publicações oficiais da organização e, segundo a reportagem, a imagem desempenha papel de destaque nas estratégias de captação.
Pelo menos seis entidades religiosas figuram na lista de credores da Fictor, conforme a coluna deste fim de semana. Além da Associação Carmelitas, a lista inclui duas igrejas evangélicas, uma associação budista, uma ONG dedicada a programas de recuperação de vícios e uma entidade voltada a crianças e adolescentes.
Confira os credores citados (segmentos apresentados com base em informações disponíveis):
Associação budista investiu R$ 1 milhão em SCPs da Fictor
Associação Beneficente Freis Carmelitas Mensageiros investiu R$ 630 mil
Igreja evangélica Cristo Salva – Ministério Deus é Amor investiu R$ 100 mil
ONG Celebrando a Recuperação Brasil investiu R$ 95 mil
Igreja evangélica do Povo de Deus de Jundiaí aportou R$ 50 mil
Instituto Presbiteriano Piravivo está na lista devido a patrocínio de R$ 33 mil
A Fictor prometia aos investidores retorno superior a 26% ao ano por meio das SCPs. A lista de credores apresentada ao TJSP envolve cerca de 13 mil pessoas físicas e jurídicas.
A reportagem destaca que o montante em jogo envolve recursos de igrejas, comunidades religiosas e organizações sem fins lucrativos, levantando questionamentos sobre o uso de recursos de instituições religiosas para atividades de captação de recursos de alto risco.
A seguir, uma galeria com imagens associadas aos envolvidos, organizadas para leitura visual e com foco nas informações relevantes sobre as entidades citadas.











A Fictor prometia retorno elevado aos investidores por meio das SCPs. A empresa está com dezenas de milhares de credores, incluindo várias entidades religiosas, cujos aportes ajudam a compor o quadro de dívidas que exige recuperação judicial.
E você, o que pensa sobre o uso de recursos de instituições religiosas para investimento de alto risco? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre esse tema que envolve finanças, fé e transparência.

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