Quem é Kleber Mendonça Filho: biografia e filmografia do diretor

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Kleber Mendonça Filho é hoje um dos nomes mais influentes do cinema brasileiro contemporâneo. Nascido em Recife, ele transitou da crítica cinematográfica para a direção de longas que conquistam público e reconhecimento internacional, combinando tensão social, suspense e uma estética visual marcada.

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco, Mendonça Filho atuou como crítico em veículos locais e manteve o site CinemaScópio. Nos anos 90, migrou para a realização de documentários e curtas, além de trabalhar como programador de cinema na Fundação Joaquim Nabuco. Essa trajetória ajudou a moldar seu olhar sobre cinema, cidade e arquitetura.

Entre seus primeiros curtas premiados estão A Menina do Algodão (2002), Vinil Verde (2004) e Recife Frio (2009), que já mostravam interesse pelo fantástico, pelo horror e pela crítica social — traços que viriam a definir sua assinatura estética.

O Som ao Redor (2012) foi o filme que o projetou internacionalmente. A trama acompanha a chegada de uma milícia de segurança privada a uma rua de classe média do Recife, explorando medo urbano, especulação imobiliária e feridas do passado colonial. O título recebeu ampla atenção internacional, com o The New York Times incluindo a produção entre os 10 melhores do ano.

Aquarius (2016) coloca Sonia Braga no papel de Clara, uma jornalista aposentada que resiste a vender seu apartamento para uma construtora. O filme gerou intenso debate político no Brasil, foi para Cannes na competição principal e provocou controvérsias sobre a seleção brasileira ao Oscar na época, acentuando o protagonismo de Mendonça Filho no cenário audiovisual global.

Bacurau (2019), co-dirigido com Juliano Dornelles, mistura faroeste, ficção científica e thriller para narrar a defesa de um vilarejo do sertão que descobre não estar mais no mapa. Venceu o Prêmio do Júri em Cannes, marcando um marco histórico para o cinema brasileiro e consolidando o estilo de gênero como ferramenta para falar de sociedade e resistência.

Retratos Fantasmas (2023) é um documentário pessoal que revisita o centro do Recife por meio das salas de cinema que frequentou e que hoje enfrentam fechamento ou transformação. O filme dialoga com memória, arquitetura e tempo, sendo a representação brasileira para a tentativa de vaga no Oscar 2024.

No conjunto da obra, o estilo de Kleber Mendonça Filho se destaca por usar a gramática do cinema de gênero — terror, suspense — para falar da sociedade. Seu design sonoro é um elemento essencial, funcionando como um personagem que cria tensão. A arquitetura, com prédios, casas e cercas, simboliza desigualdade e isolamento, enquanto o uso frequente de lentes zoom remete ao cinema dos anos 70.

Kleber Mendonça Filho e o Oscar é um tema recorrente. Embora ainda não tenha recebido a indicação final, ele é o cineasta brasileiro contemporâneo com maior proximidade com a Academia. O Som ao Redor foi escolhido pelo Brasil para representar o país em 2014, e Retratos Fantasmas foi enviado para o Oscar 2024. Além disso, seus filmes recebem ampla distribuição e cobertura crítica internacional, mantendo-o no radar das premiações.

Curiosidades sobre a trajetória incluem a parceria com a produtora francesa Emilie Lesclaux, por meio da CinemaScópio, o fortalecimento do chamado cinema de Pernambuco e o convite para integrar o júri oficial do Festival de Cannes em 2021, um reconhecimento importante dentro do circuito mundial de cinema.

Na prática de consumo, a filmografia de Mendonça Filho está amplamente disponível: Netflix traz Aquarius e O Som ao Redor; Globoplay exibe Bacurau (também disponível no Telecine) e O Som ao Redor; MUBI costuma exibir curtas e obras selecionadas; além disso, a maioria dos títulos pode ser alugada na Apple TV e na Amazon Prime Video. Essas opções facilitam o acesso a um conjunto que já é referência para estudantes de cinema e cinéfilos ao redor do Brasil e do mundo.

Kleber Mendonça Filho consolidou-se não apenas como diretor técnico e preciso, mas como um arquivista das mudanças sociais brasileiras. Sua obra funciona como um registro visual das tensões de classe, das transformações urbanas e da resistência cultural do Brasil no século XXI, permanecendo como referência obrigatória para quem acompanha cinema nacional e internacional.

E você, qual filme ou aspecto da obra de Kleber Mendonça Filho mais chamou sua atenção? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como essas obras dialogam com a realidade da sua cidade e o cinema contemporâneo.

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