Um funcionário da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Valinhos, no interior de São Paulo, foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por supostamente integrar uma organização criminosa armada, com base no fato de ter ajudado um suspeito de roubo a carro-forte a conseguir atendimento médico no estabelecimento de saúde. A defesa sustenta que ele agiu de boa-fé e não sabia a origem do ferimento do suspeito, que foi baleado durante a ação criminosa.
O caso está ligado a um roubo a carro-forte, descrito como o chamado roubo cinematográfico ocorrido no km 381 da Rodovia Cândido Portinari, em Franca, no interior paulista, na noite de 9 de setembro de 2024. Os criminosos bloquearam a pista, receberam o carro-forte com tiros de grosso calibre e explodiram o cofre, provocando um incêndio que consumiu todo o dinheiro transportado. Três dos quatro vigilantes ficaram feridos, e os suspeitos fugiram.
Durante a fuga, houve confrontos com a Polícia Militar (PM) ao menos duas vezes. Um policial ficou ferido e uma viatura foi danificada. Os criminosos incendiaram uma das SUVs utilizadas no crime para dificultar a perícia. Dois dias depois, em 11 de setembro de 2024, novos confrontos com o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) resultaram na morte de cinco pessoas: três suspeitos, um policial e um motorista civil — o condutor do caminhão-forte.
No dia seguinte, 10 de setembro de 2024, Fofinho, como ficou conhecido o principal suspeito, procurou atendimento médico na UPA de Valinhos. Segundo a defesa, o suspeito ligou para o funcionário da UPA pedindo ajuda, alegando ter se ferido em um acidente envolvendo um vergalhão. Marcos, que estava de folga em Santo André, pediu um carro de aplicativo para levar o amigo até a UPA, onde, ao chegar, utilizou uma cadeira de rodas para facilitar a entrada do ferido.
A acusação sustenta que, ao chegar à UPA, Marcos chegou com o carro de outro suspeito, identificado como Cleiton Roger Ribeiro, que mais tarde foi condenado a 6 anos e 9 meses de reclusão. A promotoria também aponta que o médico atuou sem passar pela triagem após a comunicação do caso. Já a defesa afirma que Marcos não sabia da procedência do ferimento e que atua na região ajudando pessoas a conseguir atendimento médico; há testemunhos que o apontam como alguém que costuma facilitar atendimento a quem precisa.
Marcos foi condenado pela 2ª Vara Criminal de Franca a sete anos e seis meses de reclusão, além de 24 dias-multa, pela integração a organização criminosa armada. Ele foi absolvido da acusação de corrupção ativa, ja que a magistrada entendeu que a mensagem sobre um suposto “bônus” enviada à médica, após o atendimento, não configurava crime. A avaliação do juiz foi de que Marcos não prestou um favor isolado, mas fazia parte do que foi considerado o “braço médico” do grupo, coordenando ações com uso de influência administrativa para garantir o atendimento.
A defesa recorreu da condenação, alegando pressão midiática após o roubo ao carro-forte e destacando que Marcos é réu primário, que as buscas na casa dele não encontraram armas ou contatos com outros suspeitos, e que não houve fuga, apenas a necessidade de garantir o atendimento ao conhecido. O Metrópoles buscou o MPSP para comentários, mas não houve retorno. A mãe de Marcos, Micheli Cavalcanti, sustenta que o filho apenas ajudou um amigo e foi injustamente preso, destacando sua trajetória no setor de saúde. Um depoimento emocionado da família ressalta o impacto da ausência dele nas festas e na vida do filho de 6 anos.
Galeria de imagens: confira registros relacionados ao caso, com imagens de arquivo que permanecem acima de 500 px de largura.


Palavra final: o caso continua sob análise das autoridades, com a defesa recorrendo da condenação e familiares defendendo a conduta de quem ajudou alguém que precisava de atendimento médico. O? leitor pode acompanhar os desdobramentos por meio dos canais oficiais e de publicações especializadas.
Gostou da apuração? Deixe sua opinião nos comentários, compartilhe como você avaliaria o equilíbrio entre atuação humanitária e responsabilidade criminal em situações de emergência médica envolvendo pessoas ligadas a crimes.

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