Tomar sol nos testículos aumenta a testosterona? Urologista explica

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Não é novidade que há diversos hábitos inusitados e muitas vezes perigosos circulando pelas redes sociais. Uma das últimas tendências adotada por alguns homens é a de tomar sol nos testículos, com a promessa de aumento nos níveis de testosterona.

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Considerada uma estratégia de “otimização hormonal”, a prática ganhou fama entre fóruns e comunidades de biohacking — que são métodos para modificar o estilo de vida, dieta, ambiente ou biologia para garantir desempenho físico e mental.

Em entrevista ao Metrópoles, o médico urologista Carlos Watanabe, titular da Sociedade Brasileira de Urologia, afirmou que o banho de sol nos testículos não tem aprovação científica e pode ser perigoso. “Essa é mais uma daquelas que deixam a gente surpreso.”

Foto colorida de homem com as mãos sobre a região genital, aparentado sentir dor
A prática pode causar prejuízos à saúde reprodutiva e queimaduras

Sem respaldo científico

A ideia de tomar sol nos testículos surgiu da confusão entre alguns estudos científicos e foi difundida de forma equivocada nas redes sociais.

As pesquisas apontaram níveis mais altos de testosterona associados à maior exposição solar. Outras análises indicaram que a radiação ultravioleta pode ativar mecanismos hormonais indiretos — isso, porém, não está ligado à exposição direta da bolsa escrotal ao sol.

Além disso, Watanabe comenta que é preciso levar outros hábitos em consideração. “Muitas vezes, as pessoas que fazem atividade física e têm hábitos saudáveis acabam se expondo mais à luz solar. Com isso, e uma dieta adequada, há um maior nível de testosterona, devido a perda de gordura e aumento da massa magra”, emenda o expert da Clínica Veridium.

Homem afundo com pesos nas mãos em academia - Metrópoles
Outros hábitos de saúde devem ser levados em consideração

O médico ainda chama atenção para o fato de que a exposição solar é apenas um marcador de saúde e não pode ser atribuída, única e exclusivamente, à melhora na produção do hormônio. “Fica a mensagem de que é mais uma daquelas que a gente tem que combater com ciência e interpretação de dados.”

Riscos

Outro ponto de atenção sobre a prática é que, além de não garantir benefícios, também pode gerar graves consequências.

A região é considerada sensível especialmente porque os testículos ficam fora da cavidade abdominal, já que precisam de uma temperatura mais baixa para produzir espermatozóides.

Por conta disso, o aumento da temperatura pode afetar a qualidade das células sexuais e até causar infertilidade. O alerta também está no risco de sofrer queimaduras graves.

Por fim, o urologista acrescenta que o baixo nível de testosterona deve ser tratado “de uma forma realmente especializada e segura, com profissionais que entendem o que está acontecendo”.

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