Nunca uma escola de samba rebaixada chamou tanta atenção.
Dir-se-á: foi porque em ano eleitoral ela homenageou um presidente da República vivo, no exercício do cargo, e candidato amais um mandato. Isso bastava para que atraísse os holofotes.
É. Pode ser.
Mas daí a ser criticada como foi antes mesmo de entrar na Sapucaí, só sendo porque o homenageado não é querido pelos donos dos principais veículos de comunicação do país.
Nos últimos 23 anos, em pelo menos 15 ocasiões, a escola de samba do Rio que subiu da Série Ouro para o Grupo Especial foi rebaixada logo no ano seguinte à sua promoção.
Essa tendência de “bate e volta” é comum devido à disparidade de recursos entre as divisões, e os exemplos mais recentes incluem:
Unidos de Padre Miguel (2025): Rebaixada após conquistar o acesso em 2024 e desfilar na elite em 2025.
Império Serrano (2023): Subiu em 2022 e caiu novamente em 2023.
Estácio de Sá (2020): Promovida em 2019 e rebaixada em 2020.
Império Serrano (2019): Subiu em 2017 (não houve rebaixamento em 2018) e caiu em 2019.
Repito o que já disse: faça Lula o que fizer, de bom ou de mal, as elites o rejeitam, e sempre rejeitaram. Porque ele não é um deles. E porque governa preferencialmente para os pobres.
Dos pobres, desde o Império, as elites mantêm distância.
O fim da escravidão arruinaria o país, elas diziam. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. O país só cresceu desde então. Hoje, é a 11ª maior economia do mundo.
As leis trabalhistas de Getúlio Vargas seriam nefastas para a economia, elas também diziam. Não foram nefastas. Getúlio passou à História como o pai dos pobres que modernizou o Brasil.
O décimo terceiro salário? À época de sua criação, houve jornal (O Globo) que estampou como manchete de capa: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”.
Em breve virá uma campanha contra a proposta de se acabar com a jornada de trabalho 6 x 1, trocando-a pela jornada de 5 x 2. Do contrário, o país voltará a afundar.
A Folha de S. Paulo, que celebra 105 anos de circulação, mudou seu slogan. Passou a ser: “Um jornal a serviço da energia limpa”. Antes, e desde 1961, era: “Um jornal a serviço do Brasil”.
Por que não “Um jornal a serviço da verdade”? É o que se espera de todos os veículos de notícias.
Bolsonaro beneficiou-se ao extremo da repulsa das elites ao PT. Às vésperas do segundo turno disputado por Bolsonaro e Fernando Haddad, o título do editorial de O Estado de S. Paulo foi:
“Uma escolha difícil”.
As elites ignoravam o mal que Bolsonaro representava? Um golpista confesso. Um órfão confesso da ditadura. Um defensor da tortura e morte de desafetos. Um sem projeto para governar o país.
A Sapucaí não foi cenário de crime eleitoral. Nem os ditos “especialistas” viram algum crime. As escolas são livres para louvar ou execrar quem quiser.
Passou na avenida um samba popular, bem avaliado pelo júri, apenas isso. Poucos se lembrarão dele na hora de votar. Carnaval não define eleição. Respeitem a inteligência dos eleitores.
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