Dólar registrou leve queda de 0,14% frente ao real, cotado a R$ 5,16, no menor patamar em 21 meses. Durante a sessão, por volta das 11h30, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,13, no menor nível do dia.
O Ibovespa, principal índice da B3, operava em baixa de 0,86%, aos 188.892,41 pontos, às 17h. Na sexta-feira, o indicador havia disparado, atingindo 190.534,42 pontos.
A movimentação no Brasil acompanhou o tom global, com o DXY recuando 0,08% às 16h40, sinalizando força menor do dólar frente a uma cesta de divisas.
Na B3, a forte queda das ações dos principais bancos ajudou a empurrar o Ibovespa para baixo, mesmo diante da elevação das ações da Petrobras e da Vale, que também têm peso significativo no índice.
Tarifas de importação dos Estados Unidos criaram um cenário de incerteza para os mercados, com a lógica das sobretaxas mudando várias vezes desde o fim da última semana.
Nos EUA, os principais índices de Wall Street operaram em queda: S&P 500 caiu 1,10%, Dow Jones -1,62% e Nasdaq -1,20% às 16h20.
Na Europa, os resultados finais foram mistos. Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,02%, em Frankfurt o DAX recuou 1,09%, em Paris o CAC 40 cedeu 0,22%, enquanto Milão, com o FTSE MIB, avançou 0,49%.
Ouro disparou, encerrando o dia em alta de 2,85%, com contratos para abril a US$ 5.225,6 por onça-troy.
Novas ameaças começaram na sexta-feira (20/2), quando a Suprema Corte dos EUA barrou as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. No sábado (21/2), o republicano reagiu, fixando novas sobretaxas globais de 10%, que na noite de segunda (23/2) subiram para 15%, com validade por 150 dias a partir de terça-feira (24/2).
Na segunda, o presidente afirmou que a Suprema Corte lhe deu mais poderes para aplicar tarifas sobre outros países, com as redes sociais trazendo ataques a governos que recuem de acordos comerciais diante da decisão.
Dúvidas em alta: a estimativa é de que a decisão da Corte possa cortar mais de US$ 133 bilhões de arrecadação do Tesouro dos EUA com impostos de importação. No curto prazo, espera-se uma longa disputa entre empresas para reaver valores pagos.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reiterou a posição do governo: manter a política tarifária, afirmando que “a política não mudou, apenas as ferramentas mudaram”.
Brasil beneficiado? Segundo a Global Trade Alert, o Brasil poderá figurar entre os maiores beneficiados com o novo regime, com redução de 13,6 pontos percentuais nas tarifas médias. A China aparece em segundo, com queda de 7,1 pontos, enquanto Reino Unido, União Europeia e Japão aparecem entre os mais prejudicados.
Já a indústria brasileira manifestou preocupação com os desdobramentos das investigações sobre práticas comerciais, cuja continuidade foi ordenada por Donald Trump na noite de sexta. Fiesp e Firjan destacaram que o Brasil já está sob investigação desde julho de 2025, o que pode tornar seus produtos alvo de novas sobretaxas antes de concorrentes internacionais cujos processos se iniciariam apenas com os anúncios da sexta-feira.
O cenário aponta volatilidade para os próximos meses, com impactos em moedas, ações, ouro e comércio exterior, especialmente para a economia brasileira. E você, como percebe as mudanças prometidas pelo regime de tarifas e seus efeitos locais? Conte nos comentários o que está achando.

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